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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Liderança e bom senso de Aécio Neves prevalece no PSDB de São Paulo







Em um movimento para tentar frear o fortalecimento do PSB no Estado, o PSDB paulista contrariou o governador Geraldo Alckmin e desistiu de eleger uma nova direção para a legenda em São Paulo. Com isso, prevaleceu uma determinação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que prorrogou seu próprio mandato na presidência nacional do partido e estendeu a medida para todos os diretórios.


Alckmin, Aécio e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, são cotados internamente como candidatos ao Palácio do Planalto em 2018.


Em uma reunião tensa na noite de segunda-feira, 9, - a qual a reportagem presenciou - o presidente do partido no Estado, deputado Pedro Tobias, justificou a decisão de ficar mais um ano à frente do Diretório Estadual com o argumento de que se "preocupa" com a sucessão ao Palácio dos Bandeirantes em 2018.


Segundo ele, o temor é de que Alckmin, para viabilizar sua candidatura à Presidência, faça uma aliança com os pessebistas em detrimento de um nome do PSDB em São Paulo. Dirigentes do PSB defendem que o atual vice-governador, Márcio França, seja o candidato apoiado pelos tucanos.


"O partido está em primeiro lugar. Minha preocupação é chegar o governador amanhã e fazer uma aliança com o PSB. Porque o governador sempre quer mais aliança, mas partido é partido, e governo é governo", disse Tobias. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, o dirigente havia feito outro discurso e afirmara que abriria mão de renovar o próprio mandato para defender a democracia interna.


Durante a reunião, Tobias também acusou o PSB de ter prejudicado o PSDB nas eleições municipais deste ano. Ele citou como exemplos os casos de Mauá e Guarulhos, cidades onde o PSB venceu candidatos tucanos.


Em outra declaração que evidenciou a divisão entre os tucanos, o presidente do PSDB paulista ainda reclamou da falta de apoio do partido ao vereador Mário Covas Neto (PSDB) na disputa pela presidência da Câmara Municipal paulistana. A bancada tucana seguiu orientação do prefeito João Doria, afilhado político de Alckmin, e votou no vereador Milton Leite (DEM), que se elegeu. "Muitas vezes a relação de aliança deixa alguém sacrificado. O PSDB fica nisso. Foi o caso da presidência da Câmara Municipal: o prefeito é nosso e ficamos de fora", disse Tobias na reunião.


Antes de articular sua permanência no cargo, o dirigente tucano consultou Serra e o senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do governo Michel Temer no Senado. Adversários de Alckmin no partido, ambos chancelaram a iniciativa. Já Aécio não participou da articulação no diretório paulista.


Movimento


Tobias disse para aliados que mudou de ideia porque "identificou" uma movimentação nos bastidores do chefe da Casa Civil de Alckmin, Samuel Moreira, para tirar seu grupo do comando do diretório e instalar no lugar um grupo afinado com o PSB. Procurado pela reportagem, Moreira não foi localizado.


Pré-candidato à Presidência em 2018, o governador paulista tem o apoio dos pessebistas, que sinalizam até com a possibilidade de lançá-lo na disputa caso não se viabilize no PSDB. A contrapartida seria o apoio de Alckmin à candidatura de França em São Paulo.


Após Tobias dizer que haveria eleição interna, três tucanos se apresentaram para disputar o cargo, todos da estrita confiança de Alckmin: o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro; o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa; e o deputado federal Miguel Haddad.


A decisão de prorrogar o mandato no Diretório Estadual teve 18 votos favoráveis e três contrários, do deputado federal Vanderlei Macris, e dos estaduais Cauê Macris e Carlão Pignatari Tobias se absteve.


Na saída da reunião, um membro da Executiva próximo ao governador chamou a manobra de "golpe". Outro afirmou que o discurso "constrangeu" o governador e que Moreira levou "uma bicicleta" de Tobias.



Alguns membros do Diretório Estadual disseram que se sentiram constrangidos a votar a favor da prorrogação do mandato. Durante a reunião, membros da Executiva Estadual levantaram a possibilidade de apresentar uma moção de repúdio para registrar o descontentamento com a decisão pela prorrogação do mandato de Aécio. A sugestão, porém, nem sequer foi discutida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Tempo/MG

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Aécio Neves líder da oposição: Querer antecipar candidato do PSDB para 2018 é um "desserviço"




Aécio diz que é 'desserviço' antecipar candidato do PSDB para 2018

Senador e presidente nacional do partido avaliou resultado das eleições.

'Nossa prioridade hoje não é eleição [presidencial] de 2018”, afirmou

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), classificou nesta segunda-feira (31) como um "desserviço" antecipar o processo de definição do nome do partido que disputará as eleições presidenciais de 2018.

Em coletiva de imprensa no Senado, no dia seguinte ao segundo turno das eleições municipais, Aécio foi questionado se estaria enfraquecido, já que não conseguiu eleger João Leite (PSDB) à Prefeitura de Belo Horizonte, enquanto o governador Geraldo Alckmin, colega de partido, garantiu no primeiro turno a vitória de João Dória (PSDB) em São Paulo.


“Fico feliz em saber que essa análise dos vitoriosos e das perspectivas de crescimento das possibilidades de uma legenda recaem sobre o PSDB”, disse o senador, ressaltando que foi a responsabilidade do partido que levou a escolhas de diferentes nomes para disputar eleições presidenciais de 2014, 2010 e 2006.

Segundo informou o Blog do Camarotti, Geraldo Alckmin busca conquistar o comando do partido a fim de viabilizar uma candidatura à Presidência em 2018.


“Essa responsabilidade vai levar no momento certo o PSDB a definir quem será o candidato a empunhar a nossa bandeira. Felizmente, as alternativas estão aí e são várias. Antecipar esse processo é um desserviço a construir a nossa agenda que vai tirar o país da crise. Nossa prioridade hoje não é eleição de 2018”, afirmou.

Sobre a aliança do partido com o PMDB, o senador disse que o fortalecimento do PSDB nas eleições municipais pode ser visto como fortalecimento do governo de Michel Temer.


Ele ressaltou que o apoio dado pelos tucanos ao peemedebista pressupõe o andamento da agenda de reformas.

“Enquanto nós sentirmos que há disposição do governo Temer – eu percebo que hoje há – para condução dessa agenda, ele terá o apoio do PSDB”, disse, antes de lembrar que o PSDB nunca omitiu a disposição de governar o país pela via direta.


http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/10/aecio-diz-que-e-desservico-antecipar-candidato-do-psdb-para-2018.html

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Aécio Neves sempre defendeu as "prévias" no PSDB. Discussão sobre candidatos agora só em 2018




Um dia depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defender a realização de prévias para a escolha dos candidatos do PSDB em 2018, ontem foi a vez de o presidente nacional da legenda, Aécio Neves, tocar no assunto.

Ele não só ressaltou a importância de os tucanos terem um candidato próprio na disputa pelo Palácio do Planalto nas próximas eleições como admitiu participar da disputa interna para tentar mais uma vez chegar à cadeira de presidente – em 2014, ele foi derrotado no segundo turno por Dilma Rousseff (PT). “Quem chegar em melhores condições deve ser o candidato.

Ninguém pode ser um candidato porque resolveu ser candidato”, afirmou o tucano em entrevista coletiva em Belo Horizonte.

De acordo com Aécio, a realização de prévias não deve ser “temida” pelos tucanos, mas encarada como um processo que pode revitalizar o partido e permitir um conhecimento maior dos candidatos. “Pior é a opressão e o cerceamento de oportunidades”, disse o presidente do PSDB.

Segundo Aécio, há um compromisso dentro do partido para que a eleição para presidente seja discutida apenas em 2018.

As declarações sobre a disputa presidencial foram feitas ao ser questionado sobre a vitória em primeiro turno, em São Paulo, do candidato do PSDB a prefeito, João Doria.

O resultado é visto como um fortalecimento do governador de São Paulo, Geraldo Alkimin, padrinho político de Doria, e possível candidato a presidente em 2018. No domingo, logo depois do anúncio da vitória do PSDB na capital paulista, João Doria e Alckmin falaram sobre a importância das prévias para evitar que a escolha do candidato a presidente seja feita apenas pelos caciques da legenda. Enquanto Doria dizia que as prévias são uma demonstração de “democracia” ao permitir a quem não é da política a chance de ser candidato,

Alckmin enfatizou que é preciso “exercitar a escolha interna”. “A prévia não divide, ela escolhe. Você pode escolher em um grupo pequeno ou pode ampliar a escolha. Nós sempre defendemos ampliar a escolha.

Quando você ouve mais, erra menos”, disse. Rejeição Ao fazer um balanço do desempenho do PSDB nestas eleições, Aécio Neves disse que o resultado fortaleceu a legenda e mostra que o partido adotou o “lado certo” ao encampar o impeachment de Dilma Rousseff. “O PSDB recebeu em todo o Brasil 17,6 milhões de votos, enquanto o PT obteve 6,8 milhões. Isso é consequência do que aconteceu no Brasil nos últimos anos.

Manteremos a firmeza naquilo que acreditamos”, argumentou o tucano, que garantiu a permanência do PSDB no apoio ao governo de Michel Temer. Na avaliação do tucano, o grande derrotado das eleições foi o PT – e ele fez questão de apresentar ontem números sobre o desempenho dos candidatos petistas nestas eleições.

Somente de vereadores, a queda em todo o país foi de 44,8% – passando de 5.067 para 2.795. Já o número de prefeitos reduziu de 630 para 256. “Essa foi uma eleição difícil para todos. Houve uma rejeição a partidos políticos, mas saiu vitorioso quem manteve uma coerência de princípios”, ponderou.
http://www.jornalfloripa.com.br/noticia.php?id=661745

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sob a liderança do senador Aécio Neves, o PSDB tem a sua melhor fase desde 2004




O presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, disse, nesta segunda-feira (3), que uma “onda azul varreu o país” nas eleições municipais, que, segundo o político, representaram uma vitória consagradora para o partido. Em uma coletiva de imprensa realizada em Belo Horizonte, ele fez um balanço do desempenho da legenda no Brasil. Aécio afirmou que o PSDB sai fortalecido e que a escolha de um nome do partido para a disputa das próximas eleições presidenciais deve ser tratada em 2018.

Nas capitais, o PSDB foi o que mais elegeu prefeitos no primeiro turno -- João Doria, em São Paulo, e Firmino Filho, em Teresina -- e é o que vai disputar mais prefeituras no segundo turno: oito ao todo. Uma delas é a da capital mineira, onde João Leite teve 33,40% dos votos válidos e Alexandre Kalil (PHS) ficou com 26,56%.


PSDB e PSD crescem em nº de prefeituras; PT encolhe

“Eu quero aqui afirmar que essa foi a mais consagradora vitória que o PSDB teve desde 2004, quando já não estávamos no governo federal. Na verdade, uma onda azul varreu o país”, disse Aécio.

O senador apresentou os principais números do PSDB nestas eleições, como o crescimento de mais de 15% no número de prefeituras em relação ao último pleito, e afirmou que a legenda é a que recebeu maior volume de votos no país. Aécio ressaltou, entretanto, a “pulverização maior dos partidos políticos”, o que, segundo ele, impactou nos partidos mais tradicionais. “Mesmo assim, o PSDB saltou, sem computar os cerca de 19 municípios onde estaremos disputando o segundo turno, de 686 para 791 prefeituras”, afirmou.

Enquanto destacava os números da legenda, o senador também falou sobre o desempenho do PT nas eleições, que, conforme ele, foi “dizimado em inúmeras regiões”. “Esses números por si só ilustram, não apenas o resultado isolado de uma eleição, mas a consequência do que aconteceu no Brasil ao longo desses últimos anos”, disse. Ele afirmou ainda que “a derrota do PT é tão expressiva quanto a vitória do PSDB”.

Eleições de 2018


Para Aécio, o PSDB sai fortalecido das eleições municipais. O senador pontuou que, apesar de saber que não há uma ligação direta e objetiva entre o que aconteceu nesta disputa e o que ocorrerá nas eleições de 2018, há, na opinião dele, um sinal de que o PSDB cresceu de forma “extremamente vigorosa” e de que existe uma conexão da legenda com uma parte da população.

Perguntado sobre a relação entre a vitória de Doria em São Paulo e o fortalecimento do governador paulista, Geraldo Alckmin, como candidato tucano à presidência em 2018, Aécio respondeu considerar esse fato “muito bom”. “Nós temos que parar de ter essa visão mesquinha da política, onde as pessoas só trabalham pelo seu projeto pessoal. (...) O momento da decisão da candidatura [à presidência] é 2018. E aquele que chegar em melhores condições deverá ser o candidato”, acrescentou.

Ele definiu as prévias no partido como um “belo caminho”, desde que bem organizadas, e destacou que elas não devem ser temidas. “Inclusive, no nosso estatuto está previsto as prévias. A prévia pressupõe uma questão apenas para que exista: mais de uma candidatura colocada formalmente. Se isso ocorrer, dentro do que estabelece o estatuto do partido, elas devem ser vistas como uma oportunidade e um debate democrático. Tanto eu, Geraldo [Alckmin], [José] Serra, todos nós estimulamos esse debate”, avaliou.

Ele não descartou, porém, que um nome surja de uma convergência, mas destacou que esta definição ocorrerá só no ano das próximas eleições. “Vamos deixar 18 para ser tratado em 18”, avaliou.

Sobre o atual governo federal, Aécio disse que estará ao lado de Michel Temer (PMDB) para viabilizar as medidas necessárias para retirar o Brasil da recessão. O senador afirmou que há uma aproximação natural do plano nacional do PSDB e de setores do PMDB, que apostam nas reformas. “Há uma parte expressiva do PMDB, representada pelo próprio presidente Michel Temer, que compreende que, sem essas reformas, o seu governo não terá qualquer chance de êxito. (...) O governo Michel Temer não pode governar preocupado com curvas de popularidade”, disse.

http://g1.globo.com/minas-gerais/eleicoes/2016/noticia/2016/10/aecio-fala-em-vitoria-consagradora-e-diz-que-2018-deve-ser-tratado-em-2018.html

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Senador Aécio Neves: "O PSDB não faz ameaças. O PSDB é parceiro desse governo enquanto acreditar nele!"





Entrevista do presidente do PSDB, senador Aécio Neves

Assuntos: Encontro com o governador Geraldo Alckmin, reforma da previdência, ajuste fiscal, apoio ao governo Temer, manifestações


Sobre o encontro com o governador de SP

Falamos um pouco sobre o Brasil e um pouco sobre o PSDB também, trazendo para ele um relato das coisas no país. Acho que o PSDB sai dessas eleições ainda mais forte do que entrou. Fizemos uma avaliação mais geral e vamos continuar conversando. Uma preocupação ainda de todos nós com a situação econômica do país e a necessidade efetiva de o governo começar vida nova com agenda de reformas que o país aguarda. O governador me passava algumas informações sobre arrecadação e receitas do Estado e ainda há dificuldades. As coisas podem melhorar, mas os sinais ainda não são muito claros. Então é preciso que o governo sinalize de forma mais objetiva na direção daquilo que precisa fazer inclusive este ano.


O que o sr. achou da decisão do governo de enviar somente após as eleições a reforma da previdência?

A última conversa que tivemos a informação era outra, de que faria isso logo. O importante é fazer. Não sei quais as razões que o governo teve. Não fomos comunicados ainda oficialmente em relação a isso. Vi as notícias de hoje. Agora é preciso, repito, que os sinais sejam muito claros na direção a PEC do teto dos gastos públicos, da reforma da previdência, esta é uma agenda que não é mais uma opção, na minha avaliação, do governo. É uma necessidade. O governo tem de avançar nessa direção. Se avaliou que, por conta das eleições não deveria mandar agora, que mande imediatamente após. Eu preferiria que esta agenda já estivesse sendo discutida o mais rapidamente possível. E na última reunião que tivemos com o próprio presidente Michel e algum dos seus ministros, a informação que tínhamos era de que ela iria antes. Mas o governo tomou a decisão, deve ter tido as suas razões, mas isso não pode sinalizar para, eventualmente, uma perda, vamos dizer assim, de prioridade dessa reforma que precisa ser este ano.


O PSDB não foi avisado sobre a decisão de adiar o envio ao Congresso da proposta de reforma da previdência.

Eu diria que não é bom, não é? Acho que o presidente está chegando aí para conduzir essas coisas da forma mais adequada possível. O que tenho dito: o PSDB não faz ameaças. O PSDB é parceiro deste projeto enquanto acreditar nele. E o que o presidente tem nos dito de forma muito clara é que tem compromisso com esta agenda e compreende que sem ela o seu governo não chegará a um bom final.


E agora é hora de “mãos à obra”. A primeira etapa, o afastamento definitivo da presidente Dilma, ocorreu. Agora, é olhar para a frente. Temos que tirar o olho do retrovisor e começar a olhar: O que é preciso fazer? O que é possível fazer ainda esse ano? Então, o presidente tem que dar esses sinais cada vez mais claros. Vamos aguardar que, agora em seu retorno, amanhã ou depois, essas questões fiquem mais claras. Se não vai mandar hoje, vai mandar quando?


Mas qual é o prazo que o PSDB dá? É esse ano?

Política não é algo que você possa definir unilateralmente prazos e datas porque as questões não dependem exclusivamente da vontade pessoal nem do presidente, nem de um partido. O que é preciso é haver uma sinalização clara das prioridades do governo. E o governo tem que deixar claro que isso não deixou de ser uma prioridade. Não é o caso de marcar prazo. Mas enquanto acreditarmos, e prefiro continuar acreditando, que o governo compreende a importância dessas reformas para o Brasil – e não é por uma questão ideológica ou de convencimento, não é programático – é para que, a partir do equilíbrio das contas, o país volte a crescer e gerar empregos. É o que todos nós queremos. É o que o Brasil precisa. E essa agenda é fundamental para restabelecer a confiança no país, a capacidade de introduzirmos outras políticas sociais, ou até ampliarmos as atuais e fazer com que o Brasil volte a crescer e gerar emprego. Então, essas reformas têm um fim muito claro: elas são necessárias para o país, não são para o PSDB ou para o PMDB. O que tenho ouvido até agora do presidente Michel é que tem esse compromisso e tem essa convicção. Agora, é hora de transformarmos esses compromissos em ação prática.


O presidente Michel disse que já tem feito muita “DR”. Vocês conversaram, senador?

Não, acho que ali foi uma palavra muito leve, bem-humorada, mas acho que essa “DR” tem que ser permanente. Fico feliz de ele, lá na China, ter ouvido nossas preocupações.

Se o ajuste fiscal demorar a sair, se não sair esse ano ou se não tiver essa sinalização, o PSDB vai deixar mesmo a base do governo?

Qualquer coisa que eu diga nessa direção, fica parecendo uma ameaça e não é. Quero que dê certo. Disse nessa entrevista que você se referiu que nós do PSDB – acho que o governador comunga comigo – nós queremos ser parceiros do êxito desse governo. Queremos ajudar que dê certo. Essa ação do PSDB, esse discurso do PSDB, as conversas que nós temos tido com o presidente Michel, são todas de um parceiro, não é de alguém que está disputando com ele.

Queremos dar a ele força na sociedade, no Congresso Nacional, para que ele cumpra essa agenda que é do país, não é mais do PSDB, foi nossa na campanha, mas não é mais nossa, é do país, a necessidade é inadiável. Então, o que nós vamos é estimulá-lo a cumprir essa agenda. Aquilo que o presidente Fernando Henrique chamava de governo de salvação nacional começou.


Agora, não há tempo a perder e não é possível deixar dúvidas no caminho. Espero que ele, chegando, deixe muito claro o seu compromisso com essas reformas. E é o que ele tem nos dito. Não tenho razões ainda para duvidar da palavra do presidente.


O Rodrigo Maia disse que seria inócuo mandar antes da eleição, que só iria prejudicar os candidatos, e que o Congresso vai estar aí. O Ronaldo Caiado falou que era a mesma coisa que mandar o paciente para um médico sem hospital. O senhor acha que é inócuo? O que o senhor acha dessa declaração?


Respeito essas posições. O que é importante para nós é clareza de que essa reforma é essencial. Ela é essencial. Se não fizermos a reforma da previdência, daqui a oito, dez anos, não tem mais como pagar a previdência. A reforma da previdência não é um capricho, como eu disse aqui, ideológico nosso, enfim, uma questão meramente partidária ou programática. Não. Queremos que os dependentes da previdência continuem a receber. É preciso que haja reforma senão não vai ter, sobretudo os mais pobres, não vão ter o que receber daqui a dez anos.

Então, temos é que explicar com clareza a razão de cada uma dessas reformas. Acho que quanto mais ampla for a discussão, melhor, mas se optaram por enviar logo depois da eleição, paciência. Preferiria já estar discutindo esse assunto o mais rapidamente possível. Mas respeitamos essa decisão. Agora, é preciso que o governo não deixe dúvidas sobre a prioridade da reforma da previdência.


Como o governo então deve lidar com essas manifestações que começam a ganhar corpo, principalmente aqui em São Paulo, visto o que aconteceu ontem aqui?


O governo tem que olhar para a frente. Os petistas e os seus aliados escolheram uma narrativa da vitimização e do golpe. Por não ser real, por não ter amparo na realidade, isso tende a se dissipar. E se dissipará mais rápido, quanto mais efetivas forem as ações do governo. O governo do presidente Michel é o governo da reconstrução nacional. Nossa aliança em torno da reconstrução do país. Para nós, 2018 não está nessa agenda, não importa se isso vai beneficiar A, B ou C. Isso salva o país. O que o governo do PT deixou como herança para todos os brasileiros salta aos olhos. É isso, é desemprego, economia sem qualquer tipo de estímulo, todos os setores com perdas enormes, baixíssima produtividade, os brasileiros endividados, a renda média caindo só em um ano cerca de 5% dos trabalhadores, mais de 10 milhões famílias voltando, nesses últimos anos, às classes D e E. Essa é a realidade, isso não é um discurso, é a realidade.


Para sairmos dessa situação, é preciso um governo com a coragem, com a liderança que o Brasil precisa. Estamos dando o apoio e a solidariedade do PSDB a esse governo pensando no Brasil, e esperamos que esse governo cumpra com o seu papel.


Mas o PSDB entende que essas manifestações são de órfãos disso tudo que o sr. está dizendo ou existe já uma insatisfação?


Acho que as manifestações, desde que democráticas e pacíficas, têm que ser respeitadas. O Brasil vem convivendo com manifestações ao longo dos últimos três anos, pelo menos, de números incalculáveis, antes impensáveis. Temos que respeitá-las, é uma forma legítima de se fazer política, até o momento em que isso passa para a violência e para a depredação, como diz o governador Alckmin. Aí é crime, e tem que ser tratado como tal.


Enquanto manifestações pacíficas têm que ser respeitadas, repito, são legítimas, mas tendem a se fragilizar a partir do momento em que o governo Michel se mostre em condições de enfrentar as dificuldades e sinalizar para os brasileiros, principalmente para os mais pobres, com uma agenda nova. As pessoas precisam perceber que perdeu o emprego hoje, o vizinho perdeu, o sobrinho também, o outro familiar, mas que tem uma coisa nova sendo reconstruída.


É isso que vai ao governo Michel a consistência necessária para ele chegar até o final. O que legitimará o governo Michel Temer não são os votos, isso ele não teve, não terá. O que vai legitimar o governo Michel é a capacidade que ele demonstrar de liderar o Brasil para sair do abismo, do calabouço no qual os governos do PT nos mergulharam. Vamos estar ao lado dele para ajudar nessa saída. Manifestações têm que ser respeitadas, até o momento em que passem a ser manifestações violentas e de depredação de patrimônio, de ataque a pessoas. Obviamente, essas têm que ser, como estão sendo, coibidas como determina a lei.

terça-feira, 15 de março de 2016

PMDB e PSDB tratam do pós-Dilma, diz Aécio Neves


PMDB e PSDB tratam do pós-Dilma, diz Aécio Neves 





PMDB e PSDB tratam do pós-Dilma, diz Aécio Neves

Para ele, a saída mais legítima para a crise continua sendo convocação de novas eleições, mas não é necessariamente a "solução" mais rápida.

Hostilizado por um grupo de manifestantes em sua curta participação nos atos de domingo (13), o senador Aécio Neves (MG) diz ter recebido as vaias com naturalidade. Ressaltou, porém, que, sem a política, as ruas de domingo (13) não terão a solução que desejam.

Presidente nacional do PSDB, Aécio admite um acerto de procedimentos com o PMDB para tirar Dilma Rousseff do poder. Mas deixa claro que não há acordo para interromper o processo que corre no Tribunal Superior Eleitoral não só contra Dilma, mas também contra o vice Michel Temer (PMDB-SP).

"Não cessará porque o TSE tem rito próprio", afirma.

Para ele, a saída mais legítima para a crise continua sendo convocação de novas eleições –cenário que tiraria o PMDB do jogo–, mas não é necessariamente a "solução" mais rápida.

Folha - As manifestações de domingo (13) aceleram o processo de impeachment?
Aécio Neves - O 13 de março vai ser lembrado como o dia em que os brasileiros pegaram seu destino nas mãos e disseram basta. Os brasileiros já não esperam nada deste governo e esperam muito da oposição.

Por que, então, o sr. e o governador Geraldo Alckmin foram vaiados?
Recebi isso com absoluta naturalidade, pois uma parcela amplamente majoritária da população compreende que ou há essa conexão das ruas com a política ou não há consequência prática para canalizar esse sentimento da população.

Sem a política, não há solução. Eu iria dez vezes às manifestações independentemente de uma ou outra pessoa ter considerado oportunista. Seria muito mais fácil ter ficado em casa. Fui e cumpri o meu papel.

O que acontece agora?
O governo acabou. O impeachment é uma possibilidade? É. Talvez aquela que apareça com maior vigor e não pode ser descartada, pois distenderá os ânimos e permitirá minimamente um reinício, por mais que saibamos que não será simples, pois sempre vai faltar a legitimidade do voto.

A Temer?
É. Mas até essa solução, que sempre vimos com muita preocupação, tem de ser admitida por nós. O ponto de convergência dos que foram e dos que não foram às ruas é que a presidente perdeu as condições de governar. É melhor sem ela. Mas há outros caminhos colocados, como o do TSE. É uma possibilidade, pelo acúmulo de denúncias e afirmações que chegam demonstrando financiamento ilegal da campanha com propina.

O impeachment interrompe o processo no TSE? Há acordo com o PMDB?
Não existe acordo. Até porque, do ponto de vista legal, não há sequer como fazê-lo. A contundência das provas pode levar o TSE também a julgar procedente a nossa ação. Não tem possibilidade de ser interrompida.

Então o PSDB não vai retirar o processo contra Dilma e Temer?
Não, nem há possibilidade de fazê-lo. Ele já está num nível de coleta de provas e terá um desfecho. Hoje o processo não é mais do PSDB. É do tribunal.

Como, então, viabilizar o diálogo entre PSDB e PMDB para um eventual "pós-Dilma"?
Ele se inicia com responsabilidade e deve ter outras etapas. É muito importante que PMDB e PSDB, além de outras forças políticas, conversem sobre o dia seguinte.

As conversas começam a ser construídas com um cenário sem a presidente da República. Acho que o PSDB, qualquer que seja o desfecho, tem responsabilidade com país.

Qualquer apoio ao próximo eventual governo é necessariamente apoio a uma agenda de reformas que a presidente perdeu as condições de fazer.

E essa ideia do parlamentarismo?
O Brasil está ficando ingovernável com essa estrutura político-partidária e com essa concentração absurda de receita nas mãos da União, com esse descontrole da gestão econômica e com a ocupação dos cargos públicos. A crise é uma grande oportunidade de retomarmos essa discussão, com um referendo junto à população brasileira. A ideia do parlamentarismo está crescendo no Congresso. Um novo regime permitiria uma redução drástica do número de partidos hoje. Nossa proposta deveria encontrar formas de restabelecer, por exemplo, a cláusula de barreira para [inibir] tantos partidos políticos. Se conseguirmos construir uma agenda de reformas estruturais nos próximos dois anos, pode ser que se crie a base para termos a mudança do sistema de governo. Não acho isso fora de alcance.

Com a Lava Jato no Congresso, como convencer a população a dar mais poder ao Parlamento?
Acho que tudo isso tem de ter um desfecho. Não temos de ter receio de fazer mudanças profundas. Temos simpatia, e outros partidos também, pelo sistema parlamentarista pós 2018, tendo uma transição agora.

Desde que Temer não tente a reeleição, caso assuma.
Sempre fui a favor do fim da reeleição. O que é preciso nessa transição de dois anos [até 2018] é o compromisso de que essa construção seja transitória. Por isso é que, no parlamentarismo, uma crise como essa teria um desfecho sem trauma. As conversas começam a ser construídas com o cenário sem a presidente da República. Esse é o fato novo e mais consistente dessas últimas semanas. Fonte: Folha de São Paulo