Mostrando postagens com marcador . Aecio Neves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador . Aecio Neves. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Aécio Neves e Márcio Lacerda se reunem após o Carnaval para decidir candidatos para PBH


Aécio e Lacerda se reunem após o Carnaval para decidir candidatos para a PBH


Hora de decisão

Marcio Lacerda e Aécio Neves começam a definir em fevereiro sua chapa de candidatos para a PBH. Um encontro dos dois está sendo agendado para meados do mês, provavelmente após o Carnaval. O colóquio é intenso entre os seus interlocutores designados para acompanhar a sucessão municipal: o secretário Vitor Valverde e o presidente do PSDB, Domingos Sávio.

Nomes na mesa

No momento, há cinco prefeituráveis disputando o apoio de Lacerda e Aécio. Porém, nos bastidores da PBH, apenas três nomes vêm sendo cogitados: o tucano Anastasia, preferido por todos; Josué Valadão, o indicado pelo PSB para compor a chapa na vice ou na cabeça; e o ex-governador Alberto Pinto Coelho (PP), que se tornou uma opção forte nas últimas semanas. Os outros dois postulantes, deputado João Vitor Xavier (PSDB) e o vice-prefeito Délio Malheiros (PV), nunca são lembrados no grupo do prefeito.


Teste das pesquisas

O prefeito e o senador tiveram reuniões anteriores sobre a sucessão em BH, mas em nenhuma ocasião chegaram a comentar nomes. O que já teria sido fechado é o método: a chapa deverá ser definida com base na avaliação do potencial eleitoral dos pré-candidatos em pesquisas qualitativas. Lacerda vai insistir com Aécio por tal processo de escolha.


O Tempo /Raquel Faria

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Senador fala das perdas de Petrobrás, vítima de gestão irresponsável do PT


Aécio fala das perdas da Petrobrás, vítima da gestão irresponsável do PT



Aécio Neves
Folha de São Paulo

Descendo a ladeira

O mercado do petróleo está passando por um momento de colapso nos preços. Os cerca de US$ 150/barril cotados em meados de 2008 estão cada vez mais próximos dos US$ 20/barril.

E como está a Petrobras neste cenário? Muito mal.

Vítima de uma gestão temerária e irresponsável, a companhia entra no ciclo de baixa bem pior do que outras petrolíferas. Enquanto as ações da Petrobras, entre dezembro e janeiro, caíram 31,6%%, as da Shell e da Exxon caíram 19,5% e 6,1%. Entre 2010 e 2016, durante o governo da presidente Dilma, a queda livre das ações da Petrobras foi de 82%.

A perda de valor não se explica somente pela redução dos preços internacionais. A esta altura, fica difícil separar o que foi incompetência e corrupção do populismo com o manejo dos preços da gasolina e do diesel para fins eleitorais. A política de usar a empresa como se fosse um cheque especial fez com que ela tenha que enfrentar este momento difícil com uma dívida superior a R$ 500 bilhões, a maior entre todas as petroleiras do mundo.

Tudo isso está levando a Petrobras a tomar decisões amargas, antes sempre negadas pelo governo.

A primeira é o corte nos investimentos, como o que veio logo após as eleições, em fevereiro de 2015, de 40%. Depois 20%, no biênio 2015/ 2016. E, agora, uma redução dos investimentos no Plano de Negócios 2015-2019 de mais 24%, gerando uma drástica revisão das metas para 2020.

A segunda decisão é a venda de ativos.

Seria cômico, se não fosse trágico, constatar que o governo que sempre acusou de forma oportunista seus adversários de quererem privatizar a empresa promove agora a maior venda de ativos da história da Petrobras. E o faz, sem visão estratégica, única e exclusivamente para fazer caixa e diminuir seu endividamento, negociando o patrimônio da companhia na bacia das almas.

Acrescente-se a tudo isso a produção futura do pré-sal também comprometida, não só pelo viés de baixa dos preços, mas pela total deterioração financeira da companhia.

Quando o barril estava acima dos US$ 100, por motivos políticos e ideológicos, o governo cometeu um crime contra gerações futuras de brasileiros ao deixar de realizar leilões e instituir o modelo de partilha.
E ainda amargaremos, por um bom tempo, os preços da gasolina e do diesel na bomba bem superiores aos do mercado internacional. Hoje, o triplo do mercado americano.

O caminho para recuperação da Petrobras e seu papel no desenvolvimento nacional não é simples, mas possível. Um bom começo é a discussão no Congresso da proposta do senador José Serra, que propõe mudanças importantes no modelo da partilha, acabando com obrigatoriedades que hoje engessam o bom funcionamento da empresa.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Aécio Neves líder da oposição: "Maior parte das pedaladas fiscais foi abastecer as grandes empresas"


Aécio: " Maior parte das pedaladas fiscais foi abastecer as grandes empresas"




Aécio: maior parte das pedaladas foi para grandes empresas

Brasília - O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), afirmou nesta terça-feira, 8, que a maior parte dos recursos das chamadas pedaladas fiscais abasteceu grandes empresas. A afirmação é uma contraposição às alegações da presidente Dilma Rousseff, que afirmou que os recursos se destinaram a pagar programas sociais como o Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.


"A parte do pagamento do Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida foi a parte menor dessas pedaladas. O maior volume de recursos foi para grandes empresas através do PSI (Programa de Sustentação do Investimento) e do BNDES", afirmou Aécio.

Aécio questionou o fato de a presidente e o governo passarem meses negando as pedaladas e pediu que Dilma assumisse a real destinação dos recursos. "Se ela se dispõe a falar, em parte, a verdade, sugiro que ela diga que a grande parte das pedaladas foi para grandes empresas brasileiras através do BNDES e do PSI", completou.


http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/12/08/aecio-maior-parte-das-pedaladas-foi-para-grandes-empresas.htm

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Aécio Neves: "O Governo Dilma fez um estrago considerável nas contas públicas"


Aécio  : "O Governo Dilma fez um estrago considerável nas contas públicas"



MADE IN BRASIL
por Aécio Neves - Folha de São Paulo

Agora é oficial: com a queda de 1,9% do PIB no trimestre, o país entra de vez em grave recessão. Carimbada e assinada pelo PT.

A notícia é catastrófica e triste. Assusta pelo tamanho e profundidade, e entristece pelos danos causados à sociedade e pela ineficácia das propostas apresentadas pelo governo para superá-la.

Nunca em nossa história republicana ostentamos tantos índices ruins. O tamanho do rombo na economia é proporcional ao desgoverno em ação. Com rara originalidade e exemplar mediocridade, o primeiro governo da presidente Dilma fez um estrago considerável nas contas publicas. Agora não adianta chorar o leite derramado, alegar desconhecimento prévio das dificuldades e impor ao país uma cota de sacrifícios que está levando a nossa economia à bancarrota.

É preciso consertar o mal feito. Mas alguém acredita que sairá alguma solução eficaz deste emaranhado de ideias frouxas e reencarnações assustadoras, como a tentativa de recriação da CPMF? Neste filme de horror, as vítimas são as mesmas: os trabalhadores perdem os seus empregos, as famílias pobres perdem os seus benefícios, os segmentos de classe média perdem as duras conquistas advindas desde a redemocratização do país.

Não adianta culpar o mundo. Quem não cresce é o Brasil, que ostenta um dos piores desempenhos entre os emergentes. A crise é 100% nacional, criada e alimentada no Brasil, com insumos preparados nos laboratórios petistas. O governo não apenas demorou a enxergar a crise, como postergou as medidas de correção e perdeu importantes oportunidades possíveis de reorientar o país para o crescimento.

Foi um desastre e tanto, agravado pelas revelações de um esquema de corrupção sem similar em magnitude no mundo, arquitetado para enriquecer alguns e sustentar um projeto longevo de poder. O resultado de tal combinação é trágico. Nos últimos meses, milhares de trabalhadores perderam seus empregos formais. Entre os jovens até 24 anos, a perspectiva é de um dramático crescimento no número de desempregados nos próximos seis meses. A inadimplência cresceu, o consumo caiu, o brasileiro ficou mais pobre.

Nos tempos de bonança, o país não cuidou dos problemas estruturais e das reformas indispensáveis. O retrato é este: indústrias paralisadas, carga tributária excessiva, inflação crescente, juros na estratosfera e desconfiança generalizada dos agentes econômicos.

O país quer e precisa olhar para o futuro. Voltar a sonhar. Antes, porém, precisamos dos olhos bem abertos e de toda a nossa energia e coragem para denunciar as mentiras que ajudaram a erguer a falácia do governo que finge nos governar. A solução para as diversas crises que enfrentamos terá que ter necessariamente como matéria prima a verdade

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A verdade sobre o "ouvir falar" dito por Yousseff


A verdade sobre o "ouvir falar" dito por Youssef



Como já foi afirmado pelo advogado de Alberto Youssef e, conforme concluiu a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF), as referências feitas ao senador Aécio Neves são improcedentes e carecem de quaisquer elementos que possam minimamente confirmá-las.

Não se tratam de informações prestadas, mas sim de ilações inverídicas feitas por terceiros já falecidos, a respeito do então líder do PSDB na Câmara dos Deputados, podendo, inclusive, estar atendendo a algum tipo de interesse político de quem o fez à época.

Em seu depoimento à Polícia Federal, conforme a petição da PGR, Youssef afirma que: “Nunca teve contato com Aécio Neves” (página 18) e que “questionado se fez alguma operação para o PSDB, o declarante disse que não” (página 20).

Na declaração feita hoje, diante da pressão de deputados do PT, Yousseff repetiu a afirmativa feita meses atrás: de que nunca teve qualquer contato com o senador Aécio Neves e de que não teve conhecimento pessoal de qualquer ato, tendo apenas ouvido dizer um comentário feito por um terceiro já falecido.

Dessa forma, a tentativa feita pelo deputado do PT Jorge Solla, durante audiência da CPI que investiga desvios na Petrobras, buscou apenas criar um factoide para desviar a atenção de fatos investigados pela Polícia Federal e pela Justiça e que atingem cada vez mais o governo e o PT.-

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Senador Aécio Neves cobra transparência e pede observadores internacionais nas eleições na Venezuela


Aécio cobra transparência e pede observadores internacionais nas eleições da Venezuela





Aécio Neves defende envio de observadores internacionais para acompanhar eleições na Venezuela

Senador sugeriu à Comissão de Relações Exteriores fazer pedido formal à Organização dos Estados Americanos (OEA)


O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, sugeriu que a Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal faça um pedido formal à Organização dos Estados Americanos (OEA) para envio de observadores para acompanhar as eleições parlamentares na Venezuela, previstas para dezembro deste ano. Durante audiência pública da CRE, realizada nesta quinta-feira (20/08), Aécio Neves demonstrou preocupação com as garantias de que eleições correspondam à vontade do povo venezuelano.

A audiência pública foi promovida pela Comissão de Relações Exteriores para ouvir o jornalista venezuelano Miguel Otero, que denunciou o desrespeito do governo de Nicolás Maduro à liberdade de expressão. Otero afirmou que a Venezuela vive numa ditadura que sufoca de todas as formas os meios de comunicação local.

O senador Aécio Neves defendeu que o Parlamento brasileiro possa acompanhar as eleições da Venezuela e afirmou que o respeito à democracia não tem fronteiras.

Leia abaixo os principais trechos do pronunciamento do senador

O tema democracia e liberdade na América Latina, e em especial na Venezuela, tem espaço importante nos debates, não apenas no Congresso Nacional, mas na sociedade brasileira.

Quando se trata de democracia, quando se trata de liberdade, não há que se respeitar fronteiras, porque todos acabamos por ser contaminados para o bem. Quando os ventos da democracia, de alguma forma, chegam a determinados países, de alguma forma eles alcançam países vizinhos, mas também quando há o cerceamento da liberdade. Já assistimos na nossa história latino-americana essa contaminação perversa. Por isso, uma preocupação hoje de todos nós, em relação às próximas eleições na Venezuela.

E a questão que indago é que assistimos, não sei se poderia chamar de distensionamento, mas alguns gestos, até mesmo pela pressão interna e externa, pela absoluta falência daquele modelo político e econômico. Tivemos alguns desses presos políticos, ainda não todos, em especial Leopoldo, retornando às suas casas.

No anúncio da data das novas eleições parlamentares para o final do ano, a questão que se impõe é a seguinte: pelo que sabemos até agora não há uma demanda por parte do governo venezuelano oficial para que uma comissão da OEA, ou de outro organismo internacional, se faça presente para acompanhar essas eleições.

A grande dúvida que fica é se a Venezuela está em condições de fazer hoje uma eleição que represente, que expresse a vontade livre do povo venezuelano ou temos que nos preocupar ainda com qualquer tipo de manipulação em relação a essas eleições. Porque a questão essencial nesse instante que está às nossas mãos ou pelo menos ou pelo menos às nossas vistas, é a possibilidade, de pela decisão democrática da população venezuelana, termos um resultado que corresponda à efetiva vontade desse povo.

Em que condições se apresentam as próximas eleições, a sua preparação é motivo de preocupação crescente? Organismos internacionais ou delegações de países vizinhos podem de alguma forma se articular, seja através da Unasul, do Mercosul, para se fazerem presente? Esta é a preocupação central que temos hoje. Porque está é uma oportunidade que efetivamente não pode ser perdida.

Há um dispositivo na Constituição da OEA, que, em casos extremos, em casos onde a democracia é ameaçada efetivamente, pode o Secretário-Geral daquela organização constituir uma comissão representativa para fazer este acompanhamento.

Digo isso, porque acho que essa deveria ser a nossa ação pontual neste instante, além da solidariedade que, obviamente, jamais deixamos de expressar. Mas, quem sabe até por iniciativas a comissão, em contato com outras comissões de relações exteriores de outros países vizinhos, uma moção à OEA, para que a OEA, que ainda também não tomou esta iniciativa, possa decidir por enviar uma comissão.

Obviamente, saberá fazer as tratativas com o governo venezuelano, mas como uma decisão do organismo, para que não percamos a oportunidade de ver essas eleições acompanhadas adequadamente.

Acho que essa pode ser uma ação pensada depois por nós aqui, para que tenhamos pelos menos alguma tranquilidade de que essas eleições terão como resultado a vontade majoritária do povo venezuelano.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Aécio Neves presidente nacional do PSDB : "Governo Dilma amplia recessão e pune trabalhadores com fim das desonerações"


Aécio : "Governo Dilma amplia recessão e pune trabalhadores com fim das desonerações"








Governo Dilma amplia recessão e pune trabalhadores com fim das desonerações, critica Aécio Neves

A medida aprovada ontem pela base do governo no Senado aumenta a carga tributária para as empresas e terá, por consequência, o agravamento da recessão e o aumento do desemprego.

Em discurso na tribuna do Senado, na noite dessa quarta-feira (19/08), o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, criticou duramente o governo da presidente Dilma Rousseff por acabar com a política de desonerações sobre a folha de pagamento de 56 setores da economia. A medida aprovada ontem pela base do governo no Senado aumenta a carga tributária para as empresas e terá, por consequência, o agravamento da recessão e o aumento do desemprego.

"É sim papel da oposição dizer não a essa reoneração, porque ela é altamente recessiva, pune os trabalhadores. É mais uma medida na mão inversa, na mão contrária, de muitos discursos da base do governo que falam em retomada do crescimento da economia", afirmou Aécio Neves ao anunciar a posição contrária do PSDB.

Em seu discurso, Aécio Neves lembrou que o governo Dilma usou as desonerações em 2014 para vencer as eleições, prometendo que a redução de impostos seria permanente. Com isso estimulou empresários a investir em seus negócios e a ampliar a contratação de trabalhadores.

"Cai a máscara de um governo que subordinou os interesses da sociedade brasileira aos seus interesses eleitorais. Em julho do ano passado, o governo, a três meses das eleições, apresentava ao empresariado brasileiro, em reuniões com enorme cobertura da mídia e com um discurso que atingia a classe trabalhadora, para dizer que o Brasil ia muito bem e estava em condições de abrir mão de parcela da arrecadação para estimular o desenvolvimento dessas empresas e, em especial, a geração de empregos", afirmou Aécio Neves.

Trabalhadores desempregados

Aécio Neves também citou em seu discurso os recentes números da crise. Hoje, segundo a Pnad Contínua, 8 milhões de trabalhadores brasileiros estão desempregados. Na indústria, o desemprego cresceu 5,2% nos primeiros seis meses do ano, a maior alta em 14 anos.

Já o PIB, de acordo com dados do Banco Central, registrou queda de 2,5% no primeiro semestre.

"Quem vai pagar ao final a conta dessa reoneração são os empregos, os trabalhadores, porque não haverá empresa brasileira que não deixará de transferir o ônus que recebe agora do governo para os trabalhadores", lamentou.

Aécio Neves destacou que o governo perdeu a credibilidade e a confiança dos brasileiros.

"Estamos vivendo os mais altos indicadores do desemprego da nossa história contemporânea. A crise é extremamente grave e se aprofunda porque o governo perdeu o essencial, perdeu credibilidade e confiança. A crise se agrava a cada dia, os empregos estão indo embora, a atividade econômica diminui, e o governo não consegue reagir a não ser pelo mais arcaico dos caminhos, que é a distribuição, sem qualquer pudor, de cargos e funções públicas", criticou o senador Aécio Neves.
Autor: Assessoria PSDB Nacional
Fonte: O Nortao

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Senador Aécio Neves: "Desfecho da crise tem que estar dentro da Constituição"

Aécio : " Desfecho da crise tem que estar dentro da Constituição"




Aécio provoca governo e diz que PSDB não será protagonista do desfecho da crise

Estadão Conteúdo

Eugênio Moraes/Hoje em Dia

Um dia após as manifestações que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que "não dormiria tranquilo se fosse governo" diante dos protestos.

"Se passaram nove meses desde a eleição da presidente e as ruas do Brasil foram ocupadas. Não se pode fazer uma contabilidade, foi maior ou menor (do que passeatas anteriores), elas foram muito representativas ainda mais por causa da sua capilaridade e pela amplitude", disse Aécio, que pela primeira vez participou do protesto, o terceiro este ano.

Para o tucano, o PSDB não será o protagonista do desfecho da crise, mas atuará para garantir que instituições como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) funcionem com "isenção" e livre de "constrangimentos". Ele destacou que a decisão tem de ser tomada com base na legislação e não em "acordos políticos".

"De todas aquelas possibilidades que admitimos, até a própria permanência da presidente, se ela readquirir as condições, que ela não demonstra ter, de governabilidade, todas elas estão limitadas ao texto constitucional. Não há possibilidade de nenhum desfecho que não sejam com respeito à Constituição", afirmou.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Aécio Neves fala do povo nas ruas "Quem vai dar jeito no Brasil são os brasileiros"


Aécio fala do povo nas ruas "Quem vai dar jeito no Brasil são os brasileiros"





A legitimidade das ruas


por Aécio Neves / Folha de São Paulo


As ruas voltaram a vibrar com energia e indignação neste domingo.

Tratadas com ironia e quase desprezo no último programa partidário do PT, as manifestações da sociedade são expressão legítima da cidadania e traduzem o mal-estar generalizado que tomou conta do país, como reação ao fracasso e aos desmandos do atual ciclo de poder.

Ainda sobrevive no campo do governismo uma drástica dificuldade em entender que protestos como o de ontem fazem parte da vida democrática e revelam uma dinâmica social ativa e madura. É impressionante como os brasileiros permanecem mobilizados, nas ruas ou fora delas. Em apenas oito meses, milhões de pessoas, de forma pacífica, ocuparam várias vezes as ruas do país. Uns chamando os outros. Uns se reconhecendo nos outros.

Ouso dizer que estamos testemunhando o florescimento de uma nova consciência nacional e uma autêntica mudança de patamar, que, aos poucos, mas de forma muito determinada, avança e está presente em todos os estratos sociais. As pesquisas de opinião recentes confirmam este agudo senso crítico, que tem como consequência a flagrante e espantosa deterioração da base de apoio popular do petismo, que paga o alto preço do descrédito pela sua arrogância e pelas suas próprias contradições.

Hoje o PT paga esse alto preço não apenas pelos graves erros cometidos, mas porque insiste em fingir que não os cometeu!

Estão equivocados os que, com intolerância, teimam em manchar com um julgamento preconceituoso os que caminharam pedindo respeito e decência. As vozes nas avenidas e das sacadas precisam ser ouvidas atentamente e absorvidas, pois ampliam a nossa compreensão da realidade. Todos eles, cidadãos que são, têm o legítimo direito de fazer ecoar seus sonhos, reivindicações e cobranças.

Os brasileiros protestam porque estão simplesmente esgotados de assistir a tanta roubalheira. Protestam para não se renderem à impotência diante da escalada dos escândalos. Protestam para honrar a própria esperança, para honrar o futuro que querem viver ou plantar para seus filhos e netos. Protestam porque estão cansados de ser enganados por um marketing de ocasião, oportunista, que não cumpre o que promete, prega o que não pratica e institucionalizou a mentira como discurso oficial de governo.

Neste domingo, senti nos apertos de mão, nos abraços, nos acenos e nos gestos de otimismo, que o Brasil vai encontrar o seu caminho. Não pelas ações de um governo que tornou-se incapaz de ouvir e dialogar. Mas pela força das pessoas, das famílias, do ativismo dos jovens, das crianças que vieram para as ruas apenas para dizer que o Brasil é muito maior! Que o Brasil tem jeito. E quem vai dar jeito no Brasil são os brasileiros.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Senador Aécio Neves: "Propaganda do PT zomba dos brasileiros"


Aécio : "Propaganda do PT zomba dos brasileiros"




Aécio Neves diz que propaganda do PT 'zomba dos brasileiros'
Isadora Peron
Geraldo Magela/ Agência Senado


O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), criticou o teor da propaganda do PT que irá ao ar na noite desta quinta-feira (6). Para o tucano, o partido "zomba da inteligência dos brasileiros" ao não fazer sequer uma referência às investigações da Operação 'Lava Jato'.

"O governo do PT perde hoje mais uma extraordinária oportunidade de falar a verdade. O programa zomba da inteligência dos brasileiros", disse Aécio.

Ele também criticou o fato de a propaganda ironizar os panelaços, ao dizer que o PT foi o partido "que mais encheu a panela dos brasileiros". "Ao final, a propaganda zomba e zomba de forma agressiva daqueles que se manifestam contra a corrupção que este governo implementou no Brasil", afirmou.

O tucano também "agradeceu" o PT pelo partido ter usado a sua imagem no programa. Na propaganda, o tucano e outros líderes da oposição são acusados de não aceitarem a derrota na eleição do ano passado. "Agradeço a oportunidade dada a milhões de brasileiros de saberem que eu não estou do lado do PT, eu estou do lado do povo. Eu sou contra este governo que infelicita cada dia mais o Brasil", disse.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Em longa entrevista Aécio Neves diz : "Estou esperando que Dilma assuma o segundo mandato"


Em longa entrevista Aécio diz: " Estou esperando que Dilma assuma o 2° mandato"






"O Brasil tem uma presidente sitiada", diz Aécio Neves
Para senador, desfecho da atual crise, qualquer que seja, será de responsabilidade do governo

Ana Dubeux / , Denise Rothenburg , Leonardo Cavalcanti / , Paulo de Tarso Lyra/EM


"Eu não estou esperando a queda da presidente, eu estou esperando que ela assuma o segundo mandato. Não assumiu até hoje, não tem governo" , disse Aécio

Depois de mais de oito meses das eleições presidenciais de 2014, o tucano Aécio Neves esboça um sorriso ao ser questionado sobre o que faltou naquela campanha para sair vitorioso: “Faltou voto, né?”. Em seguida, ele emendou: “Vou responder com franqueza. Foi uma luta absolutamente desigual. Não perdi para um partido político. Perdi para uma organização criminosa que se apoderou do Estado”, afirmou, no fim da manhã da quinta-feira passada, no gabinete do 11º andar do Senado. Ao longo de quase uma hora de entrevista, Aécio falou sobre a derrota em Minas, a crise política e econômica do governo Dilma Rousseff, a Operação Lava-Jato e os reflexos da investigação no Executivo e, agora, cada vez mais fortes, no Legislativo. Mostrou certo desconforto ao ser questionado sobre o fato de petistas o chamarem de golpista e, por último, mirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “(Sugerir que Dilma viaje) é uma grande maldade que Lula está fazendo. O Brasil tem uma presidente sitiada. E isso, na verdade, parece uma certa vingança dele. Ela vai para onde? Vai para ser vaiada?”. A entrevista com o senador Aécio Neves ocorreu horas antes das denúncias do executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu US$ 5 milhões em propinas relativas à compra de dois navios-sondas da Petrobras. O episódio motivou o anúncio de Cunha de que rompeu com o governo e, agora, é oposição. Ontem, o senador mineiro divulgou nota sobre o caso.

O recesso do Congresso a partir desta semana vai acalmar o clima político de Brasília?
Do ponto de vista de agenda parlamentar, sim. Mas a Lava-Jato não para, não é? A crise não para. Ela apenas se agrava, o Brasil parou. Esse talvez seja o componente não visível, a gente fica vendo denúncia disso, denúncia daquilo... Amanhã vai prender não sei quem. Mas tem uma questão que, a meu ver, fragiliza ainda mais a presidente, que é a economia. A expectativa de receita do governo está muito abaixo do que se previa. Tem uma crise que permeia todas as outras, estou falando do desemprego, da inflação, dos juros altos. É isso que vai emoldurar tudo aí, que é a crise de confiança hoje no Brasil. Ninguém está investindo. Esse programa de concessões que tem sido pouco explorado... Tudo parado, todo mundo com o pé atrás. Essa é a crise potencializadora das outras. Sem confiança, você não retoma o crescimento, não administra a base no Congresso. Ninguém respeita mais o governo.

E qual é a solução?
Eu tenho de ter cautela, como presidente do PSDB. Nós não somos protagonistas do desfecho. O desfecho, qualquer que seja, será sempre de responsabilidade do atual governo. Seja para se manter — se reunir as condições de governabilidade, que não estão fáceis —, seja para um outro desfecho que, se tiver de ocorrer, será de responsabilidade do governo. Seja na questão das regras de responsabilidade fiscal, seja pela questão da propina de campanha, seja pela capacidade de se sustentar mesmo, de tocar o país. Eu tenho conversado com muita gente do setor privado. Até dois meses atrás, as conversas eram sobre quando o Brasil retomaria o crescimento. As pessoas falavam: “Será que isso melhora antes da eleição municipal, ou na eleição ainda estará muito grave?”. De dois meses para cá, a conversa não é mais essa. É até quando ela (Dilma) aguenta.

E qual é a expectativa do senhor?
Como presidente do PSDB, tenho de garantir que as instituições funcionem. Toda hora que eu perceber que há uma tentativa de pressão, de manipulação — como tentam fazer volta e meia setores do PT, seja na Polícia Federal, seja no Ministério Público, seja nos tribunais —, temos que denunciar e fazer a contrapressão. Eu vou dizer: vai ter impeachment?. Hoje, eu não acho que tenha condições para isso. Não há ainda, o que não impede que venha a ocorrer. O Brasil tem uma legislação para ser cumprida. Eu vejo o advogado-geral da União confessando os crimes das chamadas pedaladas e já querendo estabelecer as penas: “O crime houve, mas sempre houve. Ninguém afastou presidente por causa disso”. Então, para ele (Luís Inácio Adams), houve o crime. Tem uma legislação que pune esse crime e o processo tem de correr, senão os tribunais não são mais necessários. Tem crime, tem de ser punido. Se não teve crime, tem de ser absolvido. E é isso que a presidente não entendeu. Cabe a ela, em vez de focar na oposição, gastar energia, se concentrar em responder e apresentar a versão aos tribunais.

O que acha da sugestão do ex-presidente Lula de pedir para Dilma viajar o país?
Isso é uma grande maldade que o presidente Lula está fazendo. O Brasil tem uma presidente sitiada. E isso, na verdade, parece uma certa vingança dele. Ela vai para onde? Vai para ser vaiada? Hoje, os custos das viagens presidenciais foram para a estratosfera. Antes, tinha o escalão precursor para definir local, palanque. Agora tem de ir um exército antes, para limpar a área. E mesmo assim não consegue. A presidente está sitiada. Além das questões econômicas, há as morais. Ela mentiu aos brasileiros, os brasileiros sabem disso. A cada dia que passa vai ficando mais claro. A mentira foi deliberada, tinha um objetivo, que era vencer as eleições. Não sou eu que estou dizendo, está na cabeça das pessoas. Olha, nós vamos ter, entre agosto e setembro, uma pororoca no Brasil, um encontro das águas turvas.

O fenômeno da pororoca acabou, senador...
Então teremos a reinvenção da pororoca. Nós vamos ter, entre agosto e setembro, votações dessas questões gravíssimas nos dois tribunais (TCU e TSE). Não somos nós, da oposição, que estamos criando esses fatos. Houve crime de responsabilidade, segundo relatório do ministro do TCU e agora já admitido pelo advogado-geral da União, que é extremamente grave. A votação tem de ser técnica, deve ser pela condenação, mas isso, evidentemente, cabe ao tribunal. Temos uma questão no TSE que não somos nós que estamos dizendo. É um dos delatores. Agora, os delatores dizem que houve dinheiro da propina. Por que o Ricardo Pessoa disse que foi extorquido? Ele fala do responsável pela campanha da Presidência da República, o tesoureiro do PT. “Ah, mas o tesoureiro não atuava na campanha.” Engano, o tesoureiro arrecada sim, e o dinheiro que ele arrecadou foi para a campanha. Tem mais de R$ 30 milhões arrecadados no estilo Vaccari, que foram para a campanha, foram transferidos para o diretório e para a campanha. Não sou eu que estou dizendo, é a polícia. Nós vamos ter o início das denúncias em relação aos envolvidos na Lava-Jato. Isso se prevê para o começo de agosto, quando começarem as denúncias.

Inclusive contra os parlamentares...
Principalmente os parlamentares. Estou dizendo: é o quadro da nova pororoca. Isso vai criar uma instabilidade enorme. Há várias delações de que ainda não se tem conhecimento. E vai ter o início das denúncias do STF, que podem atingir muita gente. Além disso, novas operações Lava-Jato podem chegar ainda mais próximo do governo. E, com tudo isso, dois componentes que, a meu ver, são nitroglicerina pura: economia degringolando e desemprego aumentando de forma muito vigorosa. Eu conversei com o Robson (Andrade) da CNI na semana passada e ele disse que, pela primeira vez na história, todos os setores da indústria, sem exceção, estão demitindo.

Quanto tempo o país sobrevive nessa situação?
Eu não tenho bola de cristal. Se ela (Dilma) não reassumir o comando do país, eu acho que, naturalmente, as dificuldades dela serão muito maiores. As pessoas falam sobre o negócio do impeachment. Eu não estou esperando a queda da presidente, eu estou esperando que ela assuma o segundo mandato. Não assumiu até hoje, não tem governo. Agora, se ela não assumir, no vácuo o país não pode ficar. O país não pode navegar três anos no vácuo. Ou ela assume o governo e encontra forças, resgata um pouco a confiança, ou não vai a lugar nenhum. E o que falta? Falta humildade. A presidente precisa ter humildade não para dizer que as coisas estão difíceis, mas para reconhecer que as coisas estão muito difíceis por causa dela, por causa do governo dela, do despreparo da incompetência, da corrupção. Ela deveria ter tido essa coragem na campanha eleitoral, para dizer onde o país estava mergulhado. E não ter mentido, porque a mentira é a arma daqueles a quem falta coragem. Enquanto ela não reconhecer, ela não inspira confiança.


Ao lado doa avô Tancredo Neves: após disputar a primeira eleição presidencial, Aécio se orgulha de ter resgatado o legado do PSDB
Existe uma ansiedade no Congresso com a Operação Lava-Jato.
Há uma aposta de setores do governo de que é possível se transferir essa crise para o Congresso. Mas isso, mais uma vez, é um autoengano. Acho que o Congresso terá problemas se as coisas avançarem. Obviamente que o Congresso vai ter de dar respostas para a sociedade, não apenas para a oposição. Mas é absolutamente impossível que essa crise se descole do seu fator motivador, que é o Poder Executivo. Dividir isso vai ser sempre uma tentativa. Mas eu reconheço que, aqui no Congresso, vamos ter problemas, e isso nem começou ainda.

A crise, de qualquer forma, envolve dois poderes...
É muito preocupante, porque o Congresso deveria ser o poder do equilíbrio, moderador. Eu não sei a dimensão do que está por vir, mas teremos de conviver com isso. Nosso papel vai ser sempre lutar para preservar o Congresso. Os problemas devem ser individualizados, não podem ser institucionalizados. Se tiver problemas mais graves envolvendo parlamentares, temos de deixar claro que eles terão de se explicar. Agora, não permitiremos que essa tentativa de manobra do governo tenha resultado, de o governo se livrar da responsabilidade, porque as pessoas não acreditam. Isso foi uma tentativa envolvendo alguns setores para tentar criar um cenário em que as empresas se organizaram para lesar o Estado. Em conluio com alguns diretores da Petrobras, caracterizaram a empresa e o governo como grandes vítimas disso. Isso é um absurdo, caiu no primeiro momento que o dinheiro desse esquema montado irrigava as campanhas do PT e dos aliados. Com essas denúncias sucessivas, fica claro que se montou uma estrutura criminosa na Petrobras, e sabe-se lá onde mais.

Numa perspectiva histórica, se for considerada a queda de Dilma, teremos dois dos quatro presidentes eleitos pelo voto da população fora do poder. O país não se iguala a republiquetas?
Pelo contrário. Eu acho que é bom para o país que presidentes que cometeram crimes sejam punidos, não por um movimento político, mas porque cometeram crimes. Se a gente for dimensionar o crime do (Fernando) Collor, algumas pessoas dizem que talvez ele fosse julgado no tribunal de Pequenas Causas. O que foi importante naquele processo do Collor? As instituições se mostraram muito fortes. O Brasil passou por um governo de transição, que foi o governo Itamar (Franco). Acabou sendo o governo da estabilidade da moeda, talvez um dos maiores avanços estruturais. Mas muita gente tinha preocupação, nós tínhamos uma democracia de seis, sete anos. O que transformará o país numa republiqueta é se as nossas instituições se curvarem ao peso do governo, à pressão do governo.

O PSDB estaria preparado para um eventual governo de coalizão com o PMDB?
Essa nunca foi uma questão discutida internamente. Acho que o país, para iniciar um processo de retomada do crescimento com as medidas necessárias, precisará ter um presidente legitimado.

O PSDB não teme que um governo Michel Temer, se vier, construa uma alternativa por dentro que possa tirar a posição do PSDB hoje?
Não posso especular. Se houver um governo Temer, vamos ter que nos reunir e discutir. O PSDB tem uma responsabilidade. Nós, desde o fim da eleição, nos reconectamos com setores da sociedade dos quais estávamos divorciados, que há décadas não davam bola para o PSDB, nem o PSDB se preocupava com eles. A forma como essa eleição se polarizou no fim despertou um pedaço do Brasil, que, de alguma forma, se identificou com o PSDB. E o nosso papel é manter isso vivo. Digo permanentemente: nosso foco não pode ser apenas a disputa congressual. Aqui, somos minoria. Nosso discurso é para fora. O PSDB é, hoje, o partido sintonizado com grande parte das pessoas que estão indignadas com tudo o que está aí. E o que nós temos que fazer? Temos que nos mostrar preparados para iniciar um novo ciclo no Brasil, seja agora, seja no fim deste mandato.

O que faltou em 2014 para o PSDB vencer a eleição?
Voto, né? (risos). Mas vou responder com muita franqueza: foi uma luta absolutamente desigual. Não tenho receio de repetir: não perdi para um partido político. Perdi para uma organização criminosa que se apoderou do Estado, que se financiou e financiou seus aliados, inclusive para ampliar a sua coligação, para garantir tempo de tevê. Utilizou empresas públicas, como os Correios, de forma absolutamente condenável. Mentiu aos brasileiros. Nunca se manipulou tanto o Estado por um projeto de poder. E o terrorismo eleitoral? Houve cidades no interior do Maranhão em que tive, no segundo turno, 7%. Isso porque as pessoas não tiveram a opção de votar em outra candidatura. Era votar (no PT) ou perder o Bolsa Família. Carros de som andavam nas regiões remotas, era a mesma gravação, temos isso no processo: “Se votar no 45, seu título de eleitor está cadastrado e você será automaticamente desligado do Bolsa-Família, do Minha Casa, Minha Vida”. Não foi uma eleição com um grupo político, na qual a gente pudesse ter debatido ideias e projetos para o país. Tivemos uma presidente que mascarou a verdade, iludiu, adiou medidas, que é o mais grave. Além da mentira, medidas que poderiam ter sido tomadas um ano antes da eleição, ou no próprio ano da eleição, para minimizar o custo para os brasileiros, não foram tomadas.

O senhor fala em reajuste de energia?
Sim, a desconcentração dos reajustes de energia, de combustíveis, a requalificação dos programas. O Pronatec saltou de R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões no ano da eleição. Agora, vai cair para menos de R$ 5 bilhões este ano. O Fies saltou de R$ 7 bilhões para R$ 13 bilhões, ou seja, quase dobrou em um ano. Que fiscalização que tinha? Nenhuma. Era dar, distribuir. Aquele seguro-defeso, de 2013, que era de R$ 500 milhões, passou para R$ 2 bilhões e agora vai cair para R$ 300 mihões. O que fizeram? Usaram o que não tinham, distribuíram como se fosse aquela velha e antiga compra de votos. Sabiam que era preciso contingenciar recursos. Transferiram a responsabilidade para a Caixa, o Banco do Brasil, o BNDES, para pagar contas do Tesouro, pegaram dinheiro do Tesouro para ampliar esses programas. Anunciaram isso como a oitava maravilha do mundo, sabendo que, no ano seguinte, não teriam condições de mantê-los. Perdi para essa estrutura. O que fizemos foi quase que milagroso. Por isso, a dimensão da indignação das pessoas hoje. Isso funciona quase como uma gangorra. Como nós polarizamos no final, essa derrocada do PT valoriza o PSDB.



Como assim?
Nós temos pesquisa, com algo que antes era inimaginável para nós. Na faixa de 16 a 24 anos, temos — o PSDB, não sou eu — muito mais aprovação do que o PT numa faixa que sempre foi deles e era dificílimo para nós do PSDB. Não duvido de que numa próxima pesquisa venhamos na frente no geral.

A pesquisa da CNI mostrou que o senhor está à frente de Lula e que Geraldo Alckmin também está no páreo. Como está isso dentro do PSDB? O senhor tem a primazia por ter resgatado a história do partido na sua campanha. Isso é suficiente?
Eu me orgulho muito de ter ajudado a resgatar o legado do PSDB. O PSDB, até a nossa candidatura, estava no divã, vivia uma crise de consciência, não sabia se defendia ou não defendia (as privatizações), atemorizado com as críticas. (A campanha do resgate) foi algo que não foi improvisado. Desde o início, falei que nosso caminho era resgatar. Se nós, que falamos em nome do partido, não temos firmeza para mostrar que confiamos no que fizemos, imagine os eleitores que são mais distantes da gente? Então, esse foi um ponto de inflexão do PSDB. Nós nos reconciliamos com a nossa história e começamos a brigar por ela. Esse é um grande ativo que reconstruímos. Mas não podemos cair na armadilha de antecipar o cenário eleitoral. É muito positivo o PSDB ter um nome como o do Geraldo e o do Serra, que estará se movimentando. O que temos que ter é responsabilidade para, no momento da decisão, o candidato ser aquele que tem melhores chances de vencer. Aí é pelo Brasil, não é nem por nós. Se amanhã tiver um candidato em melhores condições do que eu, isso vai ficar claro. Se não, ficará claro para os outros também. O meu papel agora, reeleito presidente do PSDB pelos próximos dois anos — e aí a campanha me ensinou muito — é ir a lugares onde a gente inexiste. Um partido como o PSDB, opção real de poder, tem nove estados sem um deputado. Um! Tem sete, oito, em que temos um.

Então, a missão é crescer…
A missão é reorganizar o partido. Estou lançando uma grande campanha de filiação, com foco nas universidades. Vamos para a periferia, enfrentá-los nesse discurso também, resgatar o nosso papel — o que ainda não consegui fazer como gostaria, de início, dos programas de transferência de renda. Isso começou com o PSDB. E o governo do PT está tirando isso agora. O PT ampliou, mas está tirando com a inflação. Começo em Alagoas, em 14 de agosto, uma ampla campanha conectado em videoconferência com o Brasil inteiro. Estamos preparando nossa militância jovem, que já está ganhando DCEs e DAs, o que não acontecia.

Na última convenção se viu um PSDB mais jovem e diverso. É isso?
Estamos apostando nisso. Meu papel é esse. O PSDB está sem medo. Perdeu o medo de ir para os debates. Nossa garotada, minha filha estuda na PUC, é tímida, não entra, mas outro dia me dizia: há dois anos, era PT com PCdoB, aí vinha o cara do PSol, do PSTU, e se restringia a essas disputas. Agora, não. Tem uma chamada onda azul nas universidades baseada no PSDB, num pensamento mais liberal. Então, houve esse despertar. Isso é a coisa mais bacana que está ocorrendo.

Minas está resolvido em relação à derrota?
Não escondo que foi uma frustração. Tenho que ter humildade para reconhecer os nossos erros ali, talvez um distanciamento maior meu. Nossa campanha, não obstante a qualidade do candidato (Pimenta da Veiga), não engrenou. Mas hoje as pesquisas mostram que eu teria mais de 70% das intenções de voto.


O senhor ficou muito confiante e acabou deixando de lado?
Houve uma certa delegação para a estrutura que tínhamos lá. Talvez eu não tenha percebido que havia certa fadiga também, que não existia no fim do meu mandato. Tem gente que acha que fui governador de Minas até a eleição (presidencial). As pessoas não lembram direito que eu não era governador e estava aqui há quatro anos. Talvez eu não tenha calibrado bem isso, mas é do jogo político. A política tem isso mesmo, fadiga de material.
Essa caravana a partir de Alagoas tem como ideia dar uma dimensão nacional do PSDB?
Temos uma programação intensa. A cada 15 dias estaremos visitando dois estados. Estamos batizando de “Caravana da Gratidão”. Vamos fazer algo sem preocupação eleitoral, reunindo esses setores do partido: juventude, mulheres, negros, área sindical. É um grande momento para o PSDB. Vamos para Alagoas, para o Rio Grande do Sul; estive em Manaus e foi extraordinário.

Nesses locais onde vocês não são conhecidos, o trabalho será mais forte?
Temos que ter algumas prioridades. Encontrar o discurso para o Nordeste é um grande desafio, sempre foi para nós. Mas isso nunca esteve tão fértil quanto agora. Como agora não é processo eleitoral, as coisas podem ser feitas mais devagar. A nossa ideia é mostrar que quem tirou as conquistas que o Nordeste teve foi este governo.

Como o senhor vê os movimentos do Lula em relação a Dilma? O Lula sempre teve uma boa relação com o senhor, não teve?
Eu sempre tive com o Lula uma relação republicana. Eu o conheci aqui em Brasília (na época da Constituinte). Eu não sei se ele tem rancor comigo, porque ele me deixava no banco no time do Congresso. Mas, no fim da campanha, ele começou a — não sei se pelo receio do que podia vir — se apequenar no discurso, com ataques absolutamente sem sentido para um ex-presidente da República. Acho que o Lula hoje é um líder cercado por todos os lados e quase à beira de um ataque de pânico. Ele vê que o grande legado dele está indo embora. Mas a responsabilidade que ele quer transferir para a presidente, ele não pode fazer, porque é dele. Ele é responsável por este governo.

Dentro desse discurso, tem a afirmação do golpismo. Como o senhor lida com isso?
Isso é uma tática do PT absolutamente conhecida e absolutamente clara. Se você fala que o Tribunal de Contas vai investigar, o PT diz que é golpe. Se disser que o TSE tem que averiguar irregularidades nas contas, é golpe. Se o povo vai para a rua, é o golpe da direita. Se vocês publicam que o Vaccari (João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT) foi preso e que o delator disse que foi dinheiro para a campanha, é imprensa golpista. Nessa estamos todos juntos, somos todos golpistas, menos o PT.


Aécio Neves no início da trajetória política: conquistas para Minas Gerais
O PSDB perdeu o medo do Lula?
Perdeu. Hoje, é o Lula quem tem medo do PSDB.

Até as 19h de 26 de outubro, a eleição estava na sua mão. Mas tudo mudou. Como estaria a vida de Aécio Neves em caso de vitória?
A minha vida pessoal talvez não estivesse tão tranquila como está hoje. Agora consigo estar com meus filhos de manhã cedo, na hora do almoço, consigo chegar para estar com eles antes de dormir. Para o Brasil, se nós tivéssemos ganho as eleições, a perspectiva seria outra. Não pelo meu mérito pessoal. Talvez meu mérito seria montar uma equipe extremamente qualificada, e não passaria pelo drama da presidente da queda da confiança. Porque eu faria coisas nas quais acredito. A presidente está fazendo coisas nas quais ela não acredita. Ela terceirizou a economia para alguém que defende as teses que ela combateu a vida inteira; e a política para quem ela desprezou durante os quatro primeiros anos de seu mandato.

O senhor teria convidado o Levy?
Para ser ministro? Não, não teria convidado o Levy.

Qual seria o ajuste econômico do PSDB?
O ajuste que o PT faz é absolutamente rudimentar. Ele tem dois pilares e não conseguiu sair deles: aumento de carga tributária e supressão de direitos. O ajuste que nós faríamos geraria expectativas de longo prazo, o que o PT não consegue. Teria o fortalecimento das agências reguladoras e mais previsibilidade. Sabia que passaríamos por tempos difíceis e não escondi isso durante a campanha. Quem escondeu foi a presidente. Ela ficava nos acusando de que faríamos ajuste e não me permitiu sequer esse debate, que seria saudável para o Brasil. Que tipo de ajuste, onde poderiam ser feitos cortes? Ela não admitia. Como fazer o processo de enfrentamento da inflação galopante? “Não tinha inflação.” Como trazer de volta os investimentos? “Investimentos estão vindo para o Brasil, o Brasil vai voltar a crescer”. Em um dos debates, eu disse que o Brasil cresceria 0,3%. “O Brasil vai crescer mais de 3%, que números são esses, vocês são uns pessimistas.” Cresceu 0,1%. Não é possível que ela não soubesse disso.

A contração econômica seria inevitável, independentemente de quem ganhasse as eleições?
Haveria contração, mas ela se agrava porque o governo não inspira confiança. Como você supera retração? Com investimentos públicos e privados. Os privados não vieram, e os públicos foram reduzidos 35% neste primeiro semestre. Essa equação para a qual estamos indo é altamente recessiva. Com juros na estratosfera para enfrentar uma inflação que não é de demanda, é de preços controlados. Não temos um projeto de retomada de indústria, de modernização, de competitividade, de investimento em produtividade. Os investimentos em infraestrutura ficaram no meio do caminho. Qual é a realidade perversa do Brasil hoje? Nós voltamos a ser o que éramos há 60 anos, exportadores de commodities.

Como o senhor encara a questão do governador Fernando Pimentel?
É preciso que se investigue. Não tenho informações que me permitam antecipar qualquer cenário. Mas todos nós, homens públicos, temos que responder a quaisquer questões que surgem. Tenho, e sempre tive, uma relação muito positiva com o Pimentel. Agora, as denúncias que estão vindo pela Polícia Federal têm de ter uma explicação. Eu não torço para que Minas se desorganize, para que o governador de Minas seja expulso. O que falta em Minas hoje é respeito às conquistas que são dos mineiros. É preciso que ele pare de governar olhando pelo retrovisor, talvez para mascarar a baixa qualidade do seu governo e a impossibilidade de ele cumprir as promessas que fez para a população. Está na hora de ele também assumir o governo.

Quando o senhor fala em olhar para trás, fala de Eduardo Azeredo, que, para vocês, também é uma questão cara?
Azeredo está respondendo a processo. Tem que ter o direito de se defender e, assim como qualquer outro, se for responsabilizado, não será, como outros, tratado como herói nacional. Eu me refiro a uma tentativa de desconstrução de avanços que fizeram de Minas referência nacional e internacional.

Vocês terão candidatura própria à Prefeitura de Belo Horizonte?
É essa a nossa intenção.

Será mantida a aliança com o PSB?
Podemos até manter a aliança. Essas eleições municipais vão pegar o PSDB em um ótimo momento e o PT nas cordas. Se hoje a máscara já caiu para alguns, no ano que vem vai cair para todos. No ano que vem vamos ver, infelizmente, o agravamento da situação econômica, fruto da obra do governo do PT. Estamos fazendo um levantamento no partido das 300 maiores cidades do Brasil. Sempre aberto para alianças. Já há um deslocamento de aliados tradicionais do PT que não querem disputar eleições próximos ao PT. Temos que fazer esse mapeamento. Onde o PT tiver candidatos competitivos, eles deverão ser fortalecidos. Mas devemos estar abertos para apoiar candidatos que estejam em nosso campo e que sejam adversários do PT porque é um prenúncio para frente, que já desenha uma aliança, naquela região, para 2018.

A qualidade de vida em Brasília é tudo



Estou adorando ficar mais tempo aqui em Brasília. Minha vida ficou mais racional. Passo um fim de semana aqui, outro em Minas. Agora consigo estar com meus filhos de manhã cedo, na hora do almoço, consigo chegar para estar com eles antes de dormir. Estou com filho pequeno, né? (o casal de gêmeos). Brasília permite uma qualidade de vida que não há em outra cidade grande. O lugar que mais me atrai aqui é o Jardim Botânico. Estou correndo lá direto, porque fica perto de casa. É lindo. Tem uma pistinha que dá quase cinco quilômetros. Já levei as crianças lá. É o lugar onde tenho ido. Para mim, foi a novidade, porque o resto eu já conhecia

terça-feira, 30 de junho de 2015

Aécio Neves presidente Nacional do PSDB fala sobre as declarações de Dilma em Nova York: "A presidente realmente não está bem"


Aécio fala sobre as declarações de Dilma em Nova York: " A presidente realmente não está bem"



As novas declarações da presidente Dilma Rousseff, dadas hoje, em NY, atestam o que muitos já vêm percebendo há algum tempo: a presidente da República ou não está raciocinando adequadamente ou acredita que pode continuar a zombar da inteligência dos brasileiros.

Primeiro, ela desrespeitou seus próprios companheiros de resistência democrática ao compará-los aos atuais aliados do PT acusados de, nas palavras do Procurador Geral, terem participado de uma “corrupção descomunal”.

A presidente chega ao acinte de comparar uma delação feita, dentro das regras de um sistema democrático, para denunciar criminosos que assaltaram os cofres públicos e recursos pertencentes aos brasileiros, com a pressão que ela sofreu durante a ditadura para delatar seus companheiros de luta pela democracia.

A presidente realmente não está bem.

É preciso que alguém lhe informe rapidamente que o objeto das investigações da Polícia Federal, do MPF e da Justiça não são doações legais feitas de forma oficial por várias empresas a várias candidaturas, inclusive a minha, mas sem qualquer contrapartida que não fosse a alforria desses empresários em relação ao esquema de extorsão que o seu partido institucionalizou no Brasil.

O que se investiga – e sobre o que a presidente deve responder – são as denúncias feitas em delação premiada pelo Sr. Ricardo Pessoa que registram que o tesoureiro da sua campanha e atual Ministro de Estado Edinho Silva teria de forma “elegante” vinculado a continuidade de seus contratos na Petrobras à efetivação de doações à campanha presidencial da candidata do PT.

Ou ainda a afirmação feita pelo mesmo delator de que o tesoureiro do seu partido, o Sr. João Vacari, hoje preso, sempre o procurava quando assinava um novo contrato para cobrar o que chamou de "pixuleco".

Não será com a velha tentativa de comparar o incomparável que a Sra. Presidente vai minimizar sua responsabilidade em relação a tudo o que tem vindo à tona na Operação Lava Jato.

O fato concreto é que talvez nunca, na história do Brasil, um Presidente da República tenha feito uma visita oficial a outro país numa condição de tamanha fragilidade. E afirmações como essa em nada melhoram sua situação.

Aécio Neves - Presidente nacional do PSDB

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Aécio Neves presidente do PSDB fala da intolerância e omissão do governo Dilma


Aécio fala da intolerância e omissão do governo Dilma


Intolerância e Omissão

Por Aécio Neves / Folha de São Paulo

Na última quinta-feira (18) estive na Venezuela, na companhia de outros sete senadores, em visita de caráter oficial para levar solidariedade aos presos políticos do regime de Nicolás Maduro. Queríamos visitar o líder oposicionista Leopoldo López, no presídio desde fevereiro de 2014, e Antonio Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas, mantido em prisão domiciliar.

Não conseguimos ir muito além do aeroporto. A estrada de acesso a Caracas estava bloqueada. Nosso carro foi cercado e impedido de continuar. Hostilizados e sob ameaça de agressão física, apesar de outras tentativas, não conseguimos avançar.

Nossa viagem atendeu ao apelo feito pelas mulheres dos líderes presos e se insere no conjunto de mobilizações e visitas de lideranças de outros países que têm ido à Venezuela levar apoio aos cidadãos perseguidos por discordarem do governo. Não há nada de original nesse esforço. Muitos devem se recordar da importância de gestos de solidariedade internacional como esses, ocorridos em favor de presos políticos brasileiros durante a ditadura implantada em 1964.

O que não nos deixaram ver na Venezuela nos dá uma ideia do que é viver hoje em condições de democracia ameaçada onde não há lugar para vozes dissonantes, para o diálogo e o confronto legítimo de opiniões. Onde a verdade pertence ao governo, como em velhos manuais aposentados pela história.

É inconcebível que ainda haja países onde os princípios invioláveis são permanentemente colocados em risco. Onde há prisões, cassações, pressões de todo tipo para constranger e imobilizar as vozes contrárias. Vozes que têm direito de se expressar e de serem ouvidas.

É incompreensível o apoio da presidente Dilma –em função da própria biografia de ex-presa política– a um governo que tenta silenciar seus opositores pela força.

Quem cala consente. O silêncio do Brasil é constrangedor e imoral. Em pleno século 21, é intolerável a existência de presos políticos. Não se transige com a liberdade. Há valores que, por sua força e significado, estão acima de diferenças partidárias e políticas. Temos o direito de viver com nossas opiniões e crenças. E de não sofrer violência de qualquer espécie por pensar diferente do governo de plantão.

Antes de ser política ou partidária, esta é uma causa humanitária. O tempo do vale-tudo, que justifica qualquer arbitrariedade em nome de um discurso político, precisa ser enterrado. A dignidade do homem deve sempre prevalecer sobre qualquer conveniência política. É isso o que, surpreendentemente, o governo brasileiro ignora, mesmo tendo a presidente Dilma vivido e sentido pessoalmente o que a intolerância é capaz de fazer.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Entrevista de Aécio Neves para UOL


Entrevista de Aécio Neves para UOL



Narração de abertura [EM OFF]:

"Aécio Neves da Cunha tem 55 anos. É economista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Aécio Neves deu seus primeiros passos na política aos 23 anos, como secretário particular do avô, Tancredo Neves, então governador de Minas Gerais.

Em 1986, elegeu-se deputado federal, pelo PMDB. Filiou-se ao PSDB 3 anos depois.

Aécio Neves reelegeu-se 3 vezes consecutivas para a Câmara dos Deputados. Chegou a presidir a Casa em 2001 e 2002.

Após sua passagem pela Câmara, Aécio Neves foi governador de Minas Gerais por 2 mandatos, de 2002 a 2010. Em seguida, elegeu-se para o Senado.

Aécio Neves preside o PSDB desde 2013. Foi candidato a presidente da República, em 2014. Perdeu para Dilma Rousseff, no segundo turno. O tucano teve 48,4% dos votos válidos e a petista, 51,6%.

Aécio Neves é um dos nomes fortes do partido para disputar novamente a eleição presidencial de 2018."

UOL [OFF]: Olá. Bem-vindo ao "Poder e Política - Entrevista". O programa é uma relização do portal UOL. A gravação é realizada no estúdio do UOL, em Brasília. E o entrevistado desta edição do "Poder e Política" é o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB.

Olá senador, como vai? Tudo bem?
Olá Fernando. Prazer estar mais uma vez com você.

Senador, o PSDB ensaiou várias posições nos últimos dias e semanas sobre maioridade penal, redução da maioridade. Qual é a posição final do PSDB?


Bom, na verdade Fernando, esse tema foi colocado na pauta pelo presidente da Câmara dos Deputados. E o PSDB defende as mesmas propostas que defendia, por exemplo, durante a campanha eleitoral, eu fui à televisão para dizer que defendia a proposta do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), inclusive meu companheiro de chapa, candidato a vice-presidente da República, que permite a redução da maioridade em casos específicos. Em crimes hediondos, ouvido o Ministério Público, o promotor da criança e da adolescência e autorizado pelo juiz. Portanto, o promotor, se identifica naquele jovem consciência para o cometimento do crime, eventualmente, uma reincidência e uma possibilidade de isso vir a acontecer à frente, ele apresenta ao juiz a proposta de exclusão da maioridade naquele caso e o juiz abre um procedimento interno e pode, nesses casos específicos, repito, de crimes hediondos, estupro seguido de morte, latrocínio, esse jovem seria julgado com base no código penal e cumpriria a eventual pena em estabelecimentos distintos do sistema prisional oficial, pode ser até mesmo dentro do mesmo sistema, mas em alas separadas.

Essas salas não existem. Se a PEC, que é uma proposta de emenda constitucional, for aprovada, vai demorar para deslocar...
É. Mas eu acho que o Poder Público aí tem a obrigação de viabilizar o cumprimento da lei, portanto. Nós temos, por exemplo, eu falei muito isso no ano passado, um fundo penitenciário, que é um fundo aprovado pelo Congresso Nacional. Estou falando de um orçamento, de recursos viabilizados no orçamento, não de fantasias orçamentárias, e que não foi executado sequer em 10% ao longo destes últimos 4 anos. O próprio Fundo Nacional de Segurança, para ações de combate à criminalidade, não teve sua execução próxima de 40%. Então, é preciso que, eu inclusive tenho um projeto que obriga que todos os recursos aprovados no orçamento para o Fundo Penitenciário, que poderia incluir a construção dessas alas, seja executado a cada mês por duodécimos, espalhados por todo o Brasil.

A impressão que se tinha é que havia uma aproximação ensaiada entre posições do PSDB e do PT para tentar contornar a simples redução da maioridade penal. Aí nos últimos dias parece que o PSDB se aliou mais a uma posição do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro, e endureceu um pouco mais a proposta. É isso ou não?
Não. É exatamente o contrário. O que existia de forma muita clara eram duas posições: uma capitaneada pelo presidente da Câmara, e com amplo apoio em vários partidos, que era pura e simplesmente o fim da maioridade, a redução para 16 anos. Inclusive colocada no relatório do deputado [Laerte] Bessa (PR-DF), indicado pelo presidente da Câmara. Essa era uma proposta que tinha muitos apoios, a pura e simples redução da maioridade penal. E de outro lado a posição do PT, no outro extremo, que achava que não se tinha que tocar nesse assunto, como nunca achou. Nós na verdade resgatamos a proposta do senador Aloysio, que era a proposta que eu já havia apresentado na campanha eleitoral, que ao meu ver é a mais sensata, é a mais equilibrada de todas elas, que permite nos casos extremos de crimes hediondos, e nós estamos falando, segundo as estatísticas que eu tenho, Fernando, de algo que representa 2% a 3% do conjunto dos crimes cometidos pelos adolescentes em 16 e 18 anos, pelos jovens entre 16 e 18 anos. Nesses casos, repito, ouvido o Ministério Público, o juiz pode estabelecer um procedimento com base no código penal. E mais duas propostas, nós inclusive tivemos ontem uma reunião da executiva nacional do partido, fechamos questão em torno dessa proposta do senador Aloysio, crimes hediondos, ouvido o Ministério Público, é possível sim reduzir a maioridade. Uma proposta lançada inicialmente pelo governador Geraldo Alckmin e relatada pelo deputado do PSDB, o líder Carlos Sampaio (PSDB-SP), que estende o tempo de permanência dos jovens nessas instituições dos atuais 3 anos, é o limite máximo hoje, podendo ser menos inclusive, para 8 anos, cumprindo a pena também em estabelecimentos diferenciados. E uma terceira proposta, essa de minha autoria, que chega a triplicar a pena para as quadrilhas, para os maiores de idade, que utilizam menores de idade para cometimento de crime. Porque isso, Fernando, virou uma indústria. Uma quadrilha estabelecida bota um jovem no meio, vai assaltar um banco. Ali há uma morte do guarda, por exemplo. O jovem, o menor de idade, assume o crime mais grave, os outros têm uma pena, quando são pegos, que não é todo momento, uma pena muito menor e depois de 3 anos esse jovem está com a ficha limpa, fora do estabelecimento. Então, nós chegamos a triplicar essa pena. E esse projeto hoje [17.jun.2015] nós tentamos votar na Comissão de Justiça, não conseguimos mais uma vez e eu estou levando esse projeto para ser votado diretamente no plenário do Senado Federal.

Senador, tem uma discussão que problematiza a redução da maioridade penal na Constituição para alguns casos, se fosse para todos seria um pouco pior ainda, que é a seguinte: se abriria uma área cinzenta sobre quem seria ou não seria inimputável poderia ou não fazer certas coisas. Hoje, por exemplo, é proibido vender bebida alcoólica e cigarro, fumo, para menores de idade de 18 anos. Como a Constituição vai ser mudada para alguns casos há quem ache que se abre um vácuo. Dois, carteira de habilitação para dirigir automóvel, barco, avião, etc., também é 18 anos. No caso do código se não me engano, parece que fala que quem é inimputável não pode dirigir, não fala nem idade. Inimputável é abaixo de 18. Daí alguns poderão, outros não. Abuso sexual de incapaz também tem uma dúvida. Serviço militar é 18 anos. Isso aí não vai abrir uma área cinzenta enorme de insegurança jurídica sobre isso?

Por isso a necessidade de que seja alterada a Constituição. Por isso uma PEC. Por isso uma Proposta de emenda à constituição. Qualquer iniciativa infraconstitucional, aí sim demandaria uma enorme discussão jurídica. Se nós alterarmos a Constituição para estabelecer, de forma muito especifica, os casos em que o jovem pode ser julgado, pode ser eventualmente condenado com base no código penal, eu acho que nós de alguma forma nos protegemos do ponto de vista legal, do ponto de vista jurídico. Por isso que nós...

O sr. acha que essas dúvidas que essas dúvidas que eu citei aqui não aconteceriam?
Não, porque a Proposta de emenda à constituição, ela é específica. Ela abre a brecha apenas para esse eventual processo, eventual condenação para esses crimes hediondos. Não mexe nessas outras questões. Essas continuam sendo regidas por outra legislação. A demanda jurídica nós todos estamos sujeitos a ela todos os dias. Mas os juristas que nos acompanham, essa proposta foi amplamente discutida por nós não apenas dentro do PSDB, mas durante a campanha com, enfim, juristas renomados, há uma, segundo a grande maioria deles, uma proteção, há uma, ao meu ver, razoável segurança para que essa alteração possa ser feita sem gerar essas outras dúvidas.

Para quem olha de fora, um cidadão comum olha assim: "bom, o PT, o partido da presidente Dilma Rousseff, ela própria toda hora dizendo que é contra a redução da maioridade penal. O PSDB negociando ali, fazendo algum tipo de redução de maioridade penal". Para quem olha de fora fica a impressão de que o PT é contra a redução da maioridade penal, porque acha isso um absurdo. E o PSDB não, tem uma posição mais conservadora, aos olhos de alguns, está fazendo isso. Acontece isso?

Fernando, o PT não é parâmetro para nós em absolutamente nada. Não é em comportamento ético, não é em capacidade de gestão e muitos menos nos comportamentos muito oportunistas que vêm tendo. Essa proposta que hoje o PT anuncia através do seu ministro da Justiça [José Eduardo Cardozo], que apoia a extensão do prazo de internação dos jovens, uma mudança no ECA, no Estatuto da Criança e da Adolescência, o PT impediu durante todos os últimos anos que fosse votada. A proposta estava pronta para ser votada, o PT se opôs violentamente a ela.

É uma hipocrisia, então, do PT agora?

É claro que sim. Retirou o quórum de todas as reuniões dessa sessão. Podemos até quem sabe com essa proposta não ter chegado ao debate como ele está hoje. Na verdade o PT, que agora percebe que há uma pressão de opinião pública para que alguma atitude seja feita, o PT se alia a uma das nossas propostas. Então, na verdade de uma lado nós temos um PMDB mais conservador, exatamente porque nós não concordamos, nós do PSDB, importante que isso fique claro, com a redução pura e simples da maioridade penal, nós votaremos contra esta proposta. Com isso, retiramos a maioria que os conservadores, que querem a redução, achavam que teriam. Setores, não todos, mas setores vêm para nossa proposta e acredito que até setores próximos ao PT se aproximam dessa nossa proposta, eu acho que o PSDB cumpre um papel, ao meu ver, de equilíbrio e de busca de alguma convergência. Agora, é um tema que realmente você não vai ter absoluta unanimidade da população brasileira. É um tema que mexe com mentes e corações.

O fato de a presidente Dilma Rousseff ter dito ou mandado dizer que isso era assunto do Congresso, que o governo não deveria se meter nessa discussão, leva o sr. a fazer qual juízo dessa atitude do Palácio do Planalto?

Olha, mais uma vez uma atitude oportunista, como foi a da campanha eleitoral, onde nós assumimos essa posição. Durante a campanha eleitoral eu tive a clareza de dizer que apoiávamos essa proposta. E ela disse nem sim nem não. Ela não chegou a dizer que era contra durante a campanha eleitoral, por exemplo, da redução da maioridade. Porque sabia que não opinião pública havia uma maioria, como é possível que haja hoje, até pela criminalidade crescente, pelo aumento da violência em todas as áreas, ela não quis se contrapor com esse setor da população. Na verdade o PT é um partido que se move pelas correntes. Se move em razão das pressões. Eu trouxe esse tema delicadíssimo e reconhecia que era. Confesso a você, Fernando, até com a oposição de alguns dos nossos assessores e conselheiros durante a campanha eleitoral, mas eu falei: "ora, prefiro que conheçam com clareza a minha posição e até acontece, discordem". Do que amanhã eu fazer como a presidente da República, que tudo que disse durante a campanha eleitoral, se desdiz hoje. Então, eu acho que hoje a palavra da presidente da República equivale a uma de R$ 3, o que disse há pouquíssimos meses atrás, ela com toda a tranquilidade do mundo se desdiz. E em todas as áreas nós acompanhamos isso. Por isso o Brasil constata a cada dia que passa o grande estelionato eleitoral que nós vivemos.

Ainda assim, nos últimos anos, vamos citar só os temas mais da atualidade. Redução da maioridade penal, que o sr. falou na campanha, expressou, vocalizou sua posição. Recentemente, o fim do fator previdenciário, que teve apoio do PSDB. O fim do fator previdenciário que é uma proposta que mudou o sistema de aposentadoria e está aí para ser debatido. Pediu o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que é uma proposta que dividiu alguns setores do PSDB, alguns como o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que não, que ainda não era o caso, outros dizendo que sim. A impressão que se tem é errada ou certa de que o PSDB ficou um pouco mais duro no lado conservador em relação ao que foi na sua origem?

Não acho. Esse talvez seja o discurso recorrente dos nossos adversários. Eu acho que não, Fernando. Eu acho que o PSDB, na verdade, tem manifestado as suas opiniões em relação a temas que são controversos. Há um volume hoje de demandas no Congresso Nacional, de questões em relação, ou seja, de reforma política ou alguns desses temas aos quais vocês se referiu, que obviamente suscita discussões internas. Felizmente, o PSDB é um partido que não tem um dono, cuja voz é absoluta e de alguma forma conduz todas as outras. Nós debatemos todos os temas. Essa questão do impeachment era uma demanda de setores da sociedade, nós debatemos internamente e não consideramos que havia ali os elementos jurídicos, pelo menos ainda, colocados para impetrar essa ação. Uma ou outra voz do partido achava que sim, é natural, como outras achavam que não. Mas a decisão do partido foi a mais responsável. Entramos com uma ação criminal contra a presidente da República na Procuradoria Geral [da República] exatamente porque ela cometeu crime de responsabilidade. Isso que hoje o Tribunal de Contas [da União] atesta através do relatório do ministro [Augusto] Nardes. A presidente faltou com a verdade, burlou a legislação, fez com que os bancos públicos financiassem o Tesouro, o que é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse é um caminho que acredito, deveria levar a Procuradoria Geral da República a abrir uma investigação em relação à presidente da República. Volto ao tema do fator previdenciário, que foi criado no governo do presidente Fernando Henrique, o Congresso Nacional acabou com o fator previdenciário em 2010. O presidente Lula vetou o fim do fator previdenciário no ano de 2010 e o curioso é que esse mesmo presidente Lula que vetou o fator previdenciário, agora apela para a presidente da República para que não faça isso, sem explicar porque que vetou naquele momento. E o que eu propunha durante a campanha eleitoral, Fernando? Porque diferente da presidente Dilma, o que eu falei lá está valendo hoje. Eu propunha sim, uma alternativa. E o 85/95 é uma alternativa. O governo diz que proporá outra. Nós estamos absolutamente abertos para discutir essa outra proposta, seja um avanço progressivo com a base de uma idade mínima. Mas a responsabilidade agora é do governo, de propor uma alternativa. Se a gente estivesse no governo, nós estaríamos discutindo com as centrais sindicais, esse era o nosso compromisso, e buscando uma alternativa que ao longo do tempo minimizasse o peso do fator sobre os aposentados, mas que de alguma forma garantisse também a sobrevivência da Previdência. Cabe ao governo federal, é responsabilidade do governo, apresentar essa alternativa. E digo aqui a você de forma objetiva: o PSDB estará absolutamente aberto para discuti-la.

O Tribunal de Contas da União deu a presidente Dilma Rousseff um prazo de 30 dias para que ela se explique pessoalmente a respeito do que vem sendo chamado de "pedaladas fiscais". Se as explicações da presidente não forem acatadas pelo TCU, se o TCU vier realmente a rejeitar as contas da presidente e enviar para o Congresso essas contas com sugestão de rejeição, aí haverá elemento objetivo para requerer o impeachment da presidente?

Fernando, é algo absolutamente grave. Pela primeira vez na história uma presidente da República está sendo diretamente instada a dar explicações ao Tribunal de Contas. Por quê? Porque foi cometido um crime. Se você me permite, é preciso que as pessoas compreendam qual é esse crime. O que que ocorreu no ano de 2014? O governo superestimava suas receitas de forma absolutamente irresponsável, sabendo que elas não ocorreriam, e desconsiderava as despesas que estava tendo. Por exemplo, o governo esqueceu que já havia uma previsão de um déficit de R$ 4 bilhões no FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador], um aumento de despesas de R$ 7 bilhões, por exemplo, no seguro-desemprego. Desconsiderava isso e manteve todos os programas em andamento. O que fez o governo? Já que não tinha tanto dinheiro fez com que a Caixa Econômica Federal pagasse o Bolsa Família, ela era meramente instituição repassadora do Bolsa Família. Com que o Banco do Brasil pagasse o Crédito Rural, ele é meramente repassador do Crédito Rural. E o BNDES, aquele programa de subsídio a investimentos, é um subsídio que existe para investimentos no BNDES. E o governo não transferia os recursos. Essas instituições então, na verdade, cobravam juros do governo. É o que vedava a Lei de Responsabilidade Fiscal. Você se lembra, Fernando, que vários bancos estaduais foram extintos porque foram quebrados, porque eles financiavam o Tesouro. Ao mesmo tempo, o governo ampliava outros programas com objetivo meramente eleitoral. O Fies, por exemplo, aumentou de R$ 6,5 bilhões para R$ 12 ou R$ 13 bilhões no ano eleitoral. Agora vai cair pela metade. O Pronatec de R$ 5 para R$ 7 bilhões. O Seguro Defeso de R$ 500 milhões para R$ 2 bilhões e meio. O que é que fez o governo? Gastou o que não tinha. É como se uma dona de casa tivesse no final do mês na conta apenas R$ 100 e tivesse gasto R$ 100 na conta da padaria e R$100 no verdureiro. E deu dois cheques de R$ 100, um vai bater na porta dele no dia seguinte para cobrar, porque um está sem fundos. Foi o que fez o governo, gastou o que não tinha. Isso é crime. E a lei tem que valer para todos. Eu acho que o Tribunal de Contas da União tem uma responsabilidade, uma oportunidade histórica de dizer isso. A legislação foi feita para todos, e quem não cumpre a legislação tem que responder por isso.

Mas trabalhando com essa hipótese que o sr. já considera, pelo que eu entendo, definitiva...
Do ponto de vista técnico não há como votar contra o relatório do ministro Nardes.

O relatório do ministro Nardes fala isso. Fala em ilegalidade. É muito duro a respeito do que aconteceu. Agora, ainda falta o voto do TCU completo, dos 9 ministros, junto com o Nardes, 8 mais ele. E a presidente dar as explicações. Supondo-se que o Tribunal acate o relatório do ministro Augusto Nardes e envie para o Congresso o pedido de rejeição das contas, aí no seu entender há elemento concreto para se requerer um pedido de impeachment da presidente?

Eu acho que a primeira consequência não será apenas essa, será outra. A Procuradoria Geral da República, que já tem em mãos uma ação do PSDB nessa direção, se houver essa decisão do Tribunal de Contas respeitando os pareceres técnicos, veja bem, não é apenas do ministro Nardes, é de todo corpo técnico daquela instituição, dos auditores que se envolveram, que mergulharam nessa questão, não há como a PGR deixar de abrir um processo de investigação em relação à presidente da República. E, obviamente, caberá ao Congresso Nacional. Você sabe que o impeachment, Fernando, ele depende de dois componentes, na minha avaliação, ele é fruto da convergência ou da combustão de dois componentes: um de ordem jurídica, que estaria ali colocado de forma clara e definitiva, e o outro de ordem política. Precisamos ver se há essa combustão naquele momento...

O sr. acha que haverá essa combustão?

É difícil prever. É difícil prever. Hoje não haveria. Hoje não há uma maioria para isso. Mas o Congresso se move muito em relação da opinião pública. Faça qualquer coisa com o Congresso internamente, que talvez ele dê pouca atenção, mas pressione o Congresso, obviamente, com questões que tenho razoabilidade e sejam reais, que o Congresso se move. Portanto, essa não é uma agenda que eu coloco como prioritária. O que para nós é essencial é o seguinte: houve crime de responsabilidade e a presidente, Fernando, tem um pequeno detalhe que tem passado despercebido, talvez eu lembre aqui pela primeira vez, alguns chegaram a argumentar, quando o ministro José Múcio, do Tribunal de Contas, apresentou um parecer já atestando que houve as pedaladas. Ele elencou um conjunto de pessoas a serem denunciadas o ministro da Fazenda, o secretário do Tesouro e por aí vai. Dezenas de pessoas, presidente de instituições financeiras e não a presidente da República. Como se a presidente da República não tivesse a responsabilidade, não tivesse a obrigação de saber o que estava sendo feita. Mas isso cai por terra, porque num dos debates e me lembro bem, na TV Record, eu disse literalmente à presidente: "A Caixa Econômica Federal está gastando R$ 8 bilhões que deveriam ser repostos pelo Tesouro. O Banco do Brasil R$ 10 bilhões para pagar o Crédito Rural e o que o seu governo está fazendo? Isso é uma ilegalidade". E ela como sempre não respondeu. Mas ela, se não tinha ciência antes e claro que tinha, pelo menos teve ciência durante a campanha eleitoral do crime que estava sendo cometido.

Mas neste momento, ela vai ter 30 dias, a contar de hoje, para se explicar e etc. Supondo-se que o elemento jurídico dessa sua fórmula de 2 elementos já vai existir, que é o que encontrou na análise o próprio TCU, o outro elemento, que é o desejo político da sociedade, ainda não está presente de maneira robusta o suficiente. Mas o sr. acha que depende do que para isso acontecer? Inclusive eu pergunto porque é muito curioso a ciclotimia da opinião pública. Embora todas as pesquisas, inclusive reservadas, dizerem que a popularidade da presidente está mais ou menos como a inflação brasileira, perto de 8%, ela não enfrenta o mesmo nível de protesto nas ruas. Em fevereiro/março houve muito protesto, depois eles arrefeceram. Por que o sr. acha que acontece isso?

Há um sentimento de indignação contido hoje na sociedade. Se você me perguntasse qual a razão dessa inédita popularidade da presidente da República, a menor da história, nem [Fernando] Collor no momento mais agudo da crise que levou ao seu impeachment, ao seu afastamento, viveu, eu diria que nem é crise econômica de enormes proporções, que penaliza principalmente quem menos tem, com o desemprego crescendo de forma vigorosa em todos os setores da economia brasileira, não é nem... olha o que eu vou falar aqui, é até um pouco arriscado, mas vou dizer, não é nem essa crise moral, também sem precedentes, na qual o PT mergulhou o país, transformando o Estado em instrumento do seu projeto de poder, assaltando os cofres públicos e a Petrobras é a face, não a única, mas a mais visível disso. Mas, ao meu ver, a crise é o que faz com que essa indignação seja dessa dimensão na sociedade é em razão do estelionato, da mentira. A presidente mentiu aos brasileiros. E mentiu sabendo que estava mentindo. E o custo não foi apenas o da eleição, porque medidas corretivas, Fernando, que poderiam e deveriam estar sendo tomadas lá atrás, não foram tomadas. E o custo hoje é muito maior. Eu li uma entrevista há poucos dias, para mim muito esclarecedora, do ex-marido da presidente da República, se não me engano, Carlos Araújo, no Jornal Nacional, que, perguntado mas como que a presidente não sabia do que estava acontecendo, da crise econômica, das suas dimensões, aí ele dizia o seguinte: "não, ela soube durante a campanha". Aí eu pergunto, mas então mentiu aos brasileiros. Porque a Dilma disse que não havia crise nenhuma. Economia sob controle, inflação sob controle, íamos crescer, as instituições todas elas sólidas. Então, existe algo contido na sociedade brasileira. Isso pode despertar para um outro momento de grandes manifestações, é uma possibilidade.

Qual é o seu palpite exatamente sobre isso que eu gostaria de saber. Sua impressão como político, pessoa que está aí há tanto tempo acompanhando. Por que é que existe essa ciclotimia? Às vezes tem protesto, às vezes não tem. Mas não melhorou nada. De janeiro até hoje, junho, talvez as coisas estejam piores, mas não obstante, há menos protestos de rua. Por quê?

Porque as pessoas não deixam de estar indignadas, não deixa de perceber que a situação piora e acredito que, infelizmente, vai piorar ainda muito para começar a melhorar, em relação principalmente à questão do emprego. Mas todos nós queremos, Fernando, e eu me incluo entre todos os brasileiros, nós queremos que as coisas melhores. Há um sentimento entre nós que de alguma forma torce para que o filho do vizinho não esteja desempregado, seu sobrinho não perca o emprego, a empresa no seu bairro não feche as suas portas. Então, acho que esse sentimento de uma certa torcida para que o Brasil melhore, é natural, é da nossa cultura. Mas isso não mexe na credibilidade da presidente. A presidente perdeu a credibilidade, perdeu a confiança da população brasileira, principalmente porque mentiu. Volto à questão do impeachment, que eu não tenho nenhum medo dessa palavra, mas esta não é a nossa pauta, nós não trabalhamos no dia a dia para derrubar a presidência da República. Nós da oposição temos a obrigação de fazer com que a lei seja cumprida. Estive essa semana acompanhado de Lúcio, outros senadores, senador Aloysio [Nunes] (PR-DF), senador [Ronaldo] Caiado (DEM), [José] Agripino (DEM), dentre outros, senadora Ana Amélia (PP-RS), senador Eduardo Amorim (PSC-SE), no TCU, apenas para dizer ao TCU: o que a sociedade espera de vocês é que vocês ajam como sempre agiram, de forma técnica. Porque o TCU foi invadido pelo governo nas últimas semanas. Advogado-geral, controladoria-geral, ministros de Estado, como se pudessem dizer: "olha, a presidente da República pode sim descumprir a lei porque senão isso vai ser muito ruim para o Brasil". Não. Eu acho que o Tribunal de Contas tem uma oportunidade que não pode deixar passar, de fazer cumprir a lei. E acho que aí vai ser muito bom não apenas para nós da oposição, vai ser muito bom para o Brasil.

Com a sua experiência, qual prognóstico o sr. faz para daqui a um mês, a presidente tendo dado explicações, o TCU votado, para que apareça esse outro componente político contra a permanência da presidente na cadeira?

Olha, eu tenho muita confiança na capacidade, na integridade dos ministros do Tribunal de Contas. Mas esse tempo, que foi na verdade um apelo veemente do governo para que fosse dado à presidente da República, porque tinham receio de que o relatório fosse aprovado e as contas dela rejeitadas, na verdade vai abrir mais um espaço para pressões, para pressões de toda forma de um governo que nos mostrou ao longo do tempo que não sabe distinguir o que é privado do que é público, o que é partidário, do que é público. O que nós devemos estar atentos, e nós da oposição estaremos, é quais serão os tipos de pressão que o governo federal ainda fará nesses 30 dias. Porque os fatos não mudam, eles estão aí. Foi cometido crime de responsabilidade. Quando o jurista Miguel Reale redigiu a ação que nós entramos na Procuradoria Geral, ele dizia que não há contestação. E ele usava o quê? Os dados, as informações dos técnicos, dos auditores do próprio TCU. Se a decisão for técnica, como acredito será, as contas da presidente da República têm que ser rejeitadas.

Senador, a Câmara dos Deputados votou uma série de medidas da chamada reforma política. Em breve, todas estarão no Senado para serem também votadas. Quais o sr. acredita, duas ou três, que com certeza serão aprovadas pelos senadores?

A verdade é que a montanha pariu um rato. Perdemos mais uma grande oportunidade de fazer uma reforma política. E nós já estávamos atrasados, Fernando. Porque você fazer uma reforma política com 28 partidos em funcionamento na Câmara dos Deputados é uma missão quase impossível. Mesmo assim...

É impossível. A gente estava vendo.
Mesmo assim eu tinha uma expectativa de que os médios partidos, os partidos com representatividade na sociedade. O que é um partido político? Não é apenas um registro no Tribunal Eleitoral que garante uma fração do fundo partidário ou do tempo da televisão. Um partido político numa democracia deve representar um segmento de pensamento na sociedade. E viraram... nós temos aí dezenas de partidos meramente cartoriais. E a aliança desses partidos, obviamente, impediu que algumas questões que por si só resultariam já num importante avanço, fossem votadas. Uma, eu dizia aos meus companheiros, dizia que uma questão já melhoraria em muito o funcionamento do nosso processo político partidário, que era o fim das coligações proporcionais. Que é aquela carona, que os partidos que não tem quadros pegam nos grandes partidos, em troca de quê? Do seu tempo de televisão. Houve uma aliança na Câmara dos Deputados em torno de algo absolutamente esdrúxulo, que seria o tal do distritão. Que seria, na minha avaliação, a falência absoluta dos partidos políticos. Cada parlamentar seria uma entidade própria. Com sua fração de tempo de televisão e de fundo partidário. E a aliança que alguns setores buscaram em torno desse chamado distritão, que eu pessoalmente combati muito inviabilizou uma aliança que poderia ter sido feita em benefício do país em torno, por exemplo, da cláusula de barreira ou do fim das coligações proporcionais.

Seu partido participou de tudo isso na Câmara.

Verdade. Nós apresentamos um conjunto de propostas. As propostas do PSDB quais eram? Mandato de 5 anos, sem reeleição. As mesmas que eu defendi durante a campanha eleitoral. Voto distrital misto –uma parcela eleita por distrito e outra pela lista partidária, baseado no modelo alemão. Fim de coligação proporcional. Cláusula de barreira. E financiamento misto de campanha. Essas foram as propostas que eu oficialmente, como presidente nacional do PSDB, apresentei. Todas foram derrotadas, com exceção dos 5 anos e reeleição. Aí estamos falando de algo que mexe com a vida, com a sobrevivência de cada um. E houve realmente votações nas outras propostas que dividiram o partido. Não pelo PSDB, dividiram todos os partidos.

Vamos para o Senado. Essas propostas vão chegar lá. Fim da reeleição passa no Senado?
Acho que sim, talvez essa seja a mais madura delas.

Só que o fim da reeleição me parece muito ligado a outro tema que são os 5 anos de mandato. Só que 5 anos de mandato pressupões também –já falei com vários senadores– que os senadores terão portanto 10 anos de mandato.
Eu defendo 5 anos para o Senado.

Cinco anos como o deputado, o senador e o deputado serão eleitos juntos sem um mandato em dobro, como é hoje. Hoje são 4 anos para deputados e 8 para senador.
8 para senador.

Pelo tudo que eu ouço de seus colegas do Senado é que 5 anos é impossível [aprovar].
Há divergências. Você está me perguntando sobre a questão da reeleição em primeiro lugar. Acho que é possível que tenhamos maioria para o fim da reeleição. E nós defenderemos o mandato de 5 anos. Fim da reeleição com 4 anos eu acho que é pouco para uma obra de governo. Você já entra pensando como vai sair. Acho que essa proposta tem que estar casada com a outra. E talvez o sentimento majoritário de que a reeleição fracassou, eu tenho esse. A atual presidente da República acabou por desmoralizar o restante que ainda existia de credibilidade em relação à reeleição. Bancos públicos, Correios, o Estado atuando em favor de um projeto político, acho que o sentimento que acho que majoritário hoje no Senado, a favor do fim da reeleição, pode levar também à aprovação dos 5 anos.

O que eu tenho ouvido de seus colegas senadores, de vários partidos, é que 5 anos é muito difícil os senadores, que hoje têm 8 anos, aprovarem porque seria uma redução de mandato para eles. Embora para uma próxima eleição. E daí acham que tudo bem aprovar 10 anos. Mas é óbvio que na população, na opinião pública, um mandato de 10 anos talvez seja excessivo.
A nossa proposta, do PSDB, é 5 anos para todo mundo e vamos defendê-la.

O sr. acha que a bancada do PSDB defende isso em peso no Senado?

Não só defende como votará essa proposta. Essa é a proposta do partido. O que começa a surgir como uma alternativa se eventualmente houver essa coincidência, porque nós estamos falando na possibilidade da coincidência que eu defendo. Não é algo que eu goste, mas é algo que começa a ser discutido. Mandato de 10 anos sem possibilidade da reeleição. O senador teria um mandato de 10 anos e não teria o direito sucessivo a reeleições, como tem hoje. Ameniza um pouco? Talvez. Mas ainda não é a nossa proposta, que será a de 5 anos.

O sr. acha possível debater essa proposta?
Acho que é possível debatê-la. Acho que o fim da reeleição e mandato de 5 anos oxigena o processo político brasileiro. E se o preço for esse, de 8 para 10, com a contrapartida de não permitir a reeleição, é algo que nós aceitamos discutir. Repetindo: a nossa proposta não é essa.

O sr. acha que também seria necessário colocar um limite para a reeleição de deputados federais e estaduais como em vários países já existe?
Vou ser muito sincero, Fernando, eu não sei se isso é saudável para o processo legislativo. Em relação à eleição majoritária sim, existe esse limite, nós queremos acabar com todas as reeleição. Você ter um Parlamento só de novatos, onde todos vão sentar ali pela primeira vez, para aprender o processo legislativo, a dinâmica de como ele funciona, não sei se é bom para qualquer país.

Sabe que nos Estados Unidos os mandatos de deputado são de 2 anos e metade dos Estados tem um número máximo de reeleições.
Cada Estado tem sua legislação. Mas é uma outra cultura, lá tem 2 partidos políticos, e isso de alguma forma orienta as posições no Congresso americano. Os parlamentares, de alguma forma, muito raramente não seguem a orientação, a doutrina, as propostas dos seus partidos. Nós não temos partidos políticos, quase, no Brasil. Temos um emaranhado, um conjunto de siglas partidárias. E aí, Fernando, foram 2 intervenções... Olha que falar mal do Supremo é difícil, mas eu vou dizer... As 2 vezes que o Supremo Tribunal Federal interviu no processo político brasileiro trouxe atrasos

A cláusula?

A primeira foi a cláusula de barreira, que nós aprovamos lá atrás, 1995, se não me engano, eu era líder do PSDB na Câmara, um esforço enorme, com uma carência para entrar 2 eleições depois. Que estabelecia, que para ter funcionamento parlamentar, o partido precisava ter pelo menos 5% dos votos para a Câmara, dividido em pelo menos 9 Estados, com pelo menos 3% em cada um dos 9 Estados. O Supremo achou que isso deveria ter sido feito por emenda constitucional, não por lei complementar, e derrubou essa cláusula. De lá para cá, indústria de partidos. A segunda intervenção mais recente é quando, de forma absolutamente paradoxal, contraditória, o Supremo define que o mandato pertence aos partidos políticos, mas ao mesmo tempo diz, "com exceção de fusão ou criação de novos partidos". Qual foi a consequência? Uma senha. Vá ao Tribunal Superior Eleitora, reúna 500 mil assinaturas, contrate uns cabos eleitorais para isso, junte 10, 15 parlamentares, faz um partido político. O que acontece? O tempo de televisão eles vendem na época da eleição e o fundo partidário eles dividem. Sei que é difícil falar isso, porque eu tenho amigos que estão nesses partidos, mas para o processo político brasileiro isso não funciona. Por isso nós estamos, e eu falo em primeira mão para você, e discutimos isso inclusive com o senador Renan [Calheiros] (PMDB-AL), o senador Aloísio [Nunes Ferreira (PSDB-SP)] e alguns outros parlamentares sobre a possibilidade de resgatarmos a cláusula de barreira sem a necessidade de emenda à Constituição. Há uma visão de alguns juristas de que isso seria possível. Não uma cláusula de barreira de 5%, essa seria impossível de ser aprovada hoje, mas que seja uma cláusula, por exemplo, de 2%, o que já reduziria em pelo menos 40% o número de partidos políticos hoje no Brasil.

Há uma informação de dentro do Supremo Tribunal Federal de que alguns ministros estariam dispostos a rever essa posição se alguma entidade com poder para isso, um partido político, requeresse novamente a reanálise daquela lei que está lá atrás, já aprovada. Não seria nem necessário o Congresso aprovar uma nova. Essa é uma possibilidade que também existe. Que talvez os partidos poderiam pensar.
Faria muito bem ao processo político brasileiro em geral.

Bastaria entrar com uma ação no Supremo requerendo isso, bem argumentada.
Isso já foi discutido lá atrás. O que ocorre hoje? Com essa proliferação de partidos nós estamos achando que seria algo razoável, ou talvez até com essa pressão colocada, uma cláusula que seja metade disso. Preferiria essa, de 5%, mas que seja metade disso. Significaria que teríamos hoje no Brasil 10 partidos políticos, e não 28. Já é algo absolutamente razoável e possível de se alcançar uma maioria congressual para isso.

Mas até para votar no Congresso demoraria mais.
Mas nós estamos discutindo a votação muito rapidamente disso no Senado Federal. Hoje foi criada...

O problema é a Câmara. O Senado votou o fim das coligações, a Câmara derrubou.
Mas é o nosso papel, temos que fazer e tentar convencer.

O sr. sempre teve boas relações com o mundo do futebol. O sr. conheceu os dirigentes do futebol, é um torcedor do futebol, em Minas é torcedor do Cruzeiro, conheceu vários dirigentes da CBF. Que juízo o sr. faz neste momento sobre a atual direção da CBF, Marco Polo Del Nero, e se diante de todas as acusações que pairam sobre a CBF seria conveniente que ele se licenciasse do cargo neste momento?

Obviamente não tenho todos os elementos para dizer se o presidente Del Nero está ou não envolvido em todas essas denúncias. Mas a CBF envelheceu. Assim como envelheceu a estrutura do futebol brasileiro e sobre isso já falamos inúmeras vezes. Oxigenar a CBF. O processo, por exemplo, de escolha dos seus dirigente, que, me parece, não há nada mais cartelizado no Brasil hoje. O Zico disse, que é meu grande amigo, o Zico disse o seguinte. Até telefonei para ele para cumprimentar, me apoiou na campanha, esteve conosco várias vezes. Ele disse: "Mais fato eu me candidatar, por mais incrível que parece, à presidência da Fifa do que da CBF. É mais fácil eu conseguir apoio de 5 países que possam apresentar meu nome do que de 5 federações, pois todas elas são sustentadas". Esse cartório tem que acabar, acho que fim das reeleições na CBF tem que acabar, e as questões que envolvem o presidente são questões de ordem jurídica, que têm que ser investigadas.

O sr. acha que seria desejável que ele se licenciasse ou renunciasse neste momento?
Seria até leviano da minha parte dizer sim, porque há uma pressão para isso. Acho que se ele tiver algum tipo de envolvimento, tem que sair e, mais do que isso, tem que ser processado em relação a isso. Eu não tenho esses elementos. Acho que a estrutura da CBF é arcaica, a estrutura da CBF de definição dos seus membro, conselhos e colegiados precisa ser superada. Oxigenar, não há nada que mexa mais com nossos corações e mentes no Brasil do que o futebol.

Por que está demorando tanto para instalar a CPI do Futebol no Senado?
Está pronta.

Mas não está instalada. Está criada, porém não instalada.
Nós assinamos, indicamos os nossos membros, acho que falta definir data.

Por que o sr. acha que os outros partidos não estão indicando?
Não tenho essa informação, confesso a você, sei que a liderança do PSDB o senador Cássio [Cunha Lima (PB)] já fez nossas indicações, discutimos internamente?

Quantas vagas tem o PSDB?
Acho que são 2. São 2 apenas.

Quem são eles?
Me parece, se não estou enganado, que é o senador Álvaro [Dias (PR)] e o outro não vou saber de cabeça aqui, mas mando para você. Acho que o senador Álvaro.

Álvaro Dias, que já é dessa área, já atuou na área.
Que já tinha um histórico, inclusive de muito embate com a CBF, que me parece ser indicado como membro titular. Me parece que a outra vaga é de suplente. Infelizmente nós não somos o maior partido do Senado, senão muita coisa estaria acontecendo melhor.

Li que o sr. é a favor da aprovação da proposta de emenda constitucional que determina a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. É isso mesmo?
É isso mesmo, não é nem uma garantia de mercado, mas uma garantia da qualidade e da responsabilidade daquele que pratica jornalismo. Há algumas excepcionalidades. Você não pode impedir que alguém se apresenta como comentarista de determinado assuntos específico, no qual tenha formação. Você é jornalista, pode ter uma bancada de televisão, amanhã vai falar sobre nutrição, tem um comentarista que, neste caso não há necessidade que seja jornalista. Mas o exercício da profissão de jornalista, com as responsabilidades que tem, com as prerrogativas que tem, deve ser exercida por quem se formou para isso.

Poucos países no mundo têm essa exigência. Pouquíssimos. No mundo ocidental quase nenhum. Não é uma exigência excessiva?
Isso foi algo muito discutido no Congresso Nacional e nós de alguma forma, inclusive com posições divergentes dentro do partido, achamos que era o mais adequado. Não acredito que isso traga nenhum problema mais grave ao país. Pelo contrário, acho que qualifica mais a profissão e traz também maiores responsabilidades àqueles que fazem jornalismo.

Que avaliação o sr. faz até agora das medidas que presidente Dilma Rousseff, por meio da equipe econômica, apresentou para fazer o ajuste fiscal. São boas, suficientes ou não?
Para usar muito caro à presidente, são extremamente rudimentares. Esses ajustes só se sustentam em 2 pilares. Aumento de carga tributária por um lado e supressão de direitos trabalhistas por outros. O que dificulta o alcance das metas, e tenho muitas mas muitas dúvidas mesmo se o superávit de 1,2% apresentado ao Brasil como uma meta pelo ministro [Joaquim] Levy será alcançado. Esse governo sofre de uma crise de confiança. E o que move investimentos, o que move mercados, que poderia estar aquecendo a economia, e exatamente a confiança, a credibilidade, e isso o atual governo perdeu. Por isso que eu acho que ela... Punem mais quem deveria estar sendo protegido e a falta de confiança do mercado como um todo. E dos agentes, não apenas internos, mas externos, em relação às convicções deste governo. Faz com que a necessidade dessa ajuste, ou pelo menos o custo desse ajuste, seja muito mais alto do que seria, por exemplo, no nosso governo.

O sr. está sendo até mais modesto nas críticas que o próprio PT, ou setores do PT, com a presidente, que criticam muito o ajuste fiscal.
O PT quer fazer uma mágica agora.

Qual é a mágica?
Isso é perceptível, inclusive pela palavra da sua liderança maior, o presidente Lula. Ele quer caminhar para as eleições doa no que vem dizendo que o PT é uma coisa e o governo é outra coisa. Que é quase que criar um núcleo de oposição ao governo, para justificar-se, para sinalizar para setores que tradicionalmente o apoiavam. E nós temos a obrigação, enquanto oposição, de dizer que o que está aí acontecendo, no Brasil, é responsabilidade única e exclusiva do PT que, no governo, preferiu priorizar um projeto de poder e não o interesse do país. Se hoje essa desconstrução econômica, essa crise moral, de confiança, que faz com que o Brasil seja o país que menos vai crescer na nossa região, que pode levar nossa taxa de desemprego a 10%, nos próximos 12 meses, é obra da irresponsabilidade e da incompetência do PT. Portanto acredito que eles chegarão, no ano que vem, nas primeiras eleições pós esse grande estelionato eleitoral, uma gravíssima crise de identidade.

O sr. imagina que na eleição do ano que vem o PT vai eleger menos prefeitos do que tem hoje?
Já começa a haver um movimento muito sintomático. Aliados tradicionais do PT já começam a buscar se desgarrar desse projeto. As últimas declarações, inclusive de lideranças importantes do PMDB, corroboram, atestam uma movimentação que já é perceptível. Acredito que muito pouca gente vai querer estar próximo de candidaturas do PT. E o momento, na minha avaliação e dos economistas com os quais eu converso, mais agudo da crise ainda não chegou. Ele será no ano que vem. Acho que o PT terá uma dificuldade enorme de olhar para os cidadãos e dizer que merece mais um voto de confiança.

Mas, dando um sobrevoo, o sr. acha que o PT sai da eleição do ano que vem com menos prefeito do que tem hoje?
Sairá, apesar da máquina ser utilizada de forma absolutamente irresponsável, ilimitada, como já aconteceu na campanha presidencial. O PT sairá fragilizado das eleições municipais. Eu acho, e vou dizer de forma cabal e muito clara, esse ciclo de governo do PT acabou. Nós estamos vivendo os seus estertores. A presidente Dilma pode chegar ao final do mandato? Pode até chegar, isso não depende de nós. Pode ser que não chegue. Mas o PT não terá discurso, não terá sequer coragem, de pedir à população brasileira mais um mandato.

Tem uma ala do PT que fala muito na criação do imposto sobre herança ou grandes fortunas. O sr. gosta dessa ideia ou é contra?
Eu não tenho dados para dizer quanto isso arrecadaria. Não tenho a priori, nada contra. Acho que é uma discussão que deveria vir. Vamos avaliar o custo disso. Isso funcionou em outros países. Quer dizer, eu não sou fechado a essa discussão.

Outra proposta que apareceu numa reunião de vários senadores com o ministro Joaquim Levy [Fazenda] semana passada foi a de promover um programa para repatriar recursos de brasileiros que hoje estão ilegalmente depositados no exterior. Mediante o pagamento de um imposto, essas pessoas trariam o dinheiro para o Brasil e teriam o crime perdoado. Qual é sua opinião sobre isso?
Olha, isso aconteceu em alguns países do mundo...

...É verdade...
...E até com razoável êxito. O que eu acredito é que era preciso encontrar uma forma de diferenciar uma eventual sonegação fiscal de...

...Narcotráfico?
Narcotráfico ou corrupção, por exemplo. Se se encontrar um caminho onde se possa haver...

É muito difícil encontrar esse caminho.
Eu também acho que é muito difícil. Por isso essa proposta não avançou até aqui. Eu acredito... Vejo até um desespero grande no governo para encontrar uma forma de fazer caixa, mas eu tenho muitas reservas a essa proposta. Porque nós podemos estar, de alguma forma, indiretamente, até estimulando o narcotráfico e a corrupção e legalizando esse dinheiro em território brasileiro a custo... Se não houver essa possiblidade dessa diferenciação –que eu concordo com você, que é muito difícil de ser feita– eu acho que é uma proposta muito arriscada.

Se o governo tentar prosseguir com isso teria de provar que vai conseguir diferenciar o que é dinheiro de crime fiscal dos outros tipos de crime?
Se encontrar um caminho para isso, se tivesse uma pré-condição na qual isso pudesse ser atestado, confessado, e, de alguma forma, comprovado que foi um crime meramente fiscal é algo que tem de ser discutido. Até porque, não é que me agrade, mas acho que nesse aspecto acho que tem de ser discutido. Mas se isso misturar alhos com bugalhos, eu acho que é algo muito perigoso. Eu não avançaria nisso, não.

O PSDB tem posição sobre isso?
Não, não discutimos essa questão. Isso surgiu muito recentemente, esse tema.

Semana passada.
Eu soube que houve uma reunião com o ministro da Fazenda. Não sei se por iniciativa dele ou de algum senador, essa proposta foi ali colocada. Mas não debatemos esse tema internamente [no PSDB]. Mas eu lhe antecipo isso: se vier sem essa possibilidade dessa diferenciação, a princípio nossa posição é contrária.

Operação Lava Jato. Os dois comandantes das duas Casas do Congresso têm os seus nomes implicados na Operação Lava Jato. Há inquéritos a respeito de Eduardo Cunha, que é presidente da Câmara, e sobre Renan Calheiros, presidente do Senado. A eles são imputados alguns crimes pelo Ministério Público. [Crimes] que ainda precisam ser investigados. Eles se declaram inocentes. Mas está tudo lá no Supremo [Tribunal Federal]. São acusações graves. Em outro momento, o presidente do Senado, Renan Calheiros, até deixou o cargo da presidência do Senado, há alguns anos, com acusações menos graves até... Achou que deveria sair do cargo de presidente do Senado. Na atual circunstância, com acusações tão graves, Eduardo Cunha e Renan Calheiros fazem bem ao permanecerem em seus cargos, com aquele discurso que a gente conhece: 'Só saio depois que for transitado em julgado o processo'?
Olha, Fernando, eu tenho enorme respeito pelo Ministério Público. E nós sabemos que a investigação não é uma condenação prévia. Eu não votei em Renan Calheiros em nenhuma das vezes em que ele foi candidato a presidente do Senado. O PSDB não votou em Eduardo Cunha para a presidência da Câmara. Então eu estou muito à vontade que eles têm o direito de se defenderem.

Mas, no cargo? Ocupando o cargo de comando no Congresso?
Foram eleitos para isso. Não com o meu voto. Então... é uma questão muito de foro íntimo, Fernando. Não dá para dizer... Não há um instrumento legal que os obrigue a sair [das presidências da Câmara e do Senado].

O sr. se sentiria à vontade com uma acusação dessa e presidindo o Senado ou a Câmara?
Mas aí é muito uma questão de foro íntimo. Eu provavelmente não teria uma acusação dessa [risos]. Mas...

Se fosse alguém do PSDB o sr. recomendaria que saísse da presidência da Câmara ou do Senado?
Repito. É uma questão de foro íntimo. Eu acho que eles têm que se preocupar agora com a sua defesa. Obviamente, se forem denunciados, que é a etapa seguinte, eu acho que aí a questão se torna mais grave. Alguém denunciado presidindo Poderes é algo mais grave do que investigado. Aí é possível que haja uma pressão de opinião pública.

A sua posição qual é?
Olha, Fernando, eu acho que fica mais grave. Eu não vou dizer agora: 'Vou ser o primeiro a pedir a cabeça'. Eu acho que o fato de serem denunciados pode tornar insustentável do ponto de vista político a permanência deles. Não é por uma ação minha, pessoal.
Agora, nós temos de dar a cada um deles, como a todos os outros que estão sendo investigados, a oportunidade de provar a sua inocência. Não quer dizer que se for investigado já é culpado.

Agora, uma vez denunciados, se vierem a ser, aí eles deveriam considerar a saída da presidência?
O que que é a denúncia? É, na verdade, a aceitação por parte do Supremo Tribunal Federal de que os indícios são extremamente fortes. Aí, para preservar as instituições, provavelmente seja até o caminho que eles venham a escolher espontaneamente. Porque aí a coisa muda, da simples investigação –com indícios que podem não se comprovar, como pode ser que aconteça em relação a outros casos– para um patamar superior. E obviamente não se deve contaminar as instituições a partir dessa etapa.

O sr. vai com um grupo de senadores para a Venezuela nesta quinta-feira [18.jun.2015]. Qual é o objetivo dessa viagem e o que o sr. espera disso?
Fernando, há algumas semanas atrás eu e o senador Aloysio [Nunes Ferreira, PSDB-SP] e o deputado [federal] Roberto Freire [PPS-SP], nós participamos de um evento em Lima [Peru], a convite do prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, onde reuniram-se várias representações democráticas de praticamente todos os países da nossa região. Vários presidentes da República, candidatos, senadores, parlamentares. E a convergência entre todos os pronunciamentos era em relação à omissão do Brasil na questão da Venezuela.
O Brasil é a maior economia, é a maior população, a maior extensão geográfica, tem a natureza que nos deu um papel de liderança na região. Essa liderança não estaria sendo –e eu concordo com essa avaliação– exercida. Não no sentido de derrubar o presidente [da Venezuela, Nicolás] Maduro, que foi eleito. Mas de garantir que a cláusula democrática do Mercosul seja cumprida e que não haja mais, em pleno século 21, presos políticos em nenhum dos países da nossa região. Então, ali [em Lima, no Peru], nós tivemos contatos com as esposas, tanto a Lilian Tintori, do Leopoldo López [coordenador nacional do partido Voluntad Popular], que está preso há um ano e três meses e quase há um mês em greve de fome, com a Mitzy [Capriles Ledezma], esposa do prefeito [de Caracas, Antonio] Ledezma, que foi levado do seu gabinete sem qualquer acusação formal e se encontra preso até hoje. E de outros cerca de 70 representantes de outros presos políticos. Tem mais de 70 presos políticos lá [na Venezuela]. Nós os convidamos para virem ao Brasil. Fizeram aqui o seu depoimento. E desde aquele primeiro encontro elas achavam que era muito importante que houvesse uma manifestação do Brasil. E se essa manifestação não vem por parte de quem deveria vir, que é o governo brasileiro, nós aprovamos no plenário do Senado Federal uma comissão suprapartidária. Temos senadores do PMDB, temos senadores de outros partidos da base [aliada ao Palácio do Planalto].

Do PT, não?
Do PT, não. Até porque o alinhamento do PT é com esse governo [da Venezuela] que lá está. Que comanda o Judiciário, que não permite liberdade de imprensa. Você sabe disso, que tem colegas seus, jornalistas, que são inclusive impedidos de sair do país. Eu soube até que o PT programa –soube hoje pela manhã, não tenho ainda a confirmação, então coloque essa ressalva– programa até a ida de alguns parlamentares acredito que para se solidarizar com o presidente [Maduro].
Mas eu estou muito feliz de nós estarmos chamando a atenção para algo muito grave, Fernando. Quando se fala de democracia e de liberdades. Não se tem que respeitar fronteiras. Quando o Brasil viveu o tempo cinzento da ditadura, quantas foram as manifestações de outras partes do mundo, não é?, que se manifestaram em solidariedade aos presos políticos brasileiros? E o que me chama mais a atenção é que o Brasil é governado hoje por uma ex-presa política, que não se comove, não se solidariza com a situação pela qual passam hoje presos políticos num país aqui tão próximo ao nosso. Essa omissão do governo brasileiro na questão da Venezuela é vergonhosa. Ela avilta a nossa dignidade enquanto cidadãos, enquanto democratas. E nós vamos lá prestar nossa solidariedade e obviamente clamar pela liberdade dos presos políticos –e também fazer coro a várias outras lideranças da oposição venezuelana e de outras partes, inclusive da nossa região, pela determinação e definição da data das eleições parlamentares, que deverão ser supervisionadas por organismos internacionais –por exemplo, como a OEA [Organização dos Estados Americanos].

Deixe-me problematizar um pouco. A gente está estourando um pouco o horário... Quando o PSDB foi governo, 8 anos com o presidente Fernando Henrique, de 1995 a 2002, havia várias ditaduras no mundo também. Aqui neste hemisfério também. Cuba, para muitos é uma ditadura, porque não havia eleições livres como ainda não há de acordo com os parâmetros que a gente conhece. Mas não havia também protestos duros por parte do governo do então presidente Fernando Henrique em relação a Cuba, o tempo todo, ou em relação a outros. Estou errado?
Está errado.

Mas, senador, não se condenava Cuba...
Fernando, o governo do presidente Fernando Henrique teve uma política externa invejável. De absoluto equilíbrio, respeitada no mundo inteiro.

Mas houve uma condenação de Cuba, de uma forma consistente?
O que houve, antes até do governo Fernando Henrique, foi o reatamento das relações diplomáticas [entre Brasil e Cuba]. Eu inclusive –olhe como já estou nisso há muito tempo– fui com o ministro [das Relações Exteriores] Abreu Sodré num avião Brasília até Cuba na primeira viagem oficial a partir do reatamento das relações com Cuba. Agora, é diferente do governo atual. Nós nunca nos alinhamos a essas ditaduras. A política externa brasileira, repito o termo que usei agora, é vergonhosa, ela privilegia um alinhamento ideológico que nenhum benefício traz ao país. Nós estamos isolados. Nós recebemos uma vista. Eu e o conjunto dos senadores do PSDB, talvez do maior empresário brasileiro hoje. É um dos sócios da InBev. Esteve no nosso gabinete falando um pouco sobre o mundo, sobre China...

Jorge Paulo [Lemann]?
Não, o Beto. Sicupira [Carlos Alberto da Veiga Sicupira]. E nós perguntamos a ele. Eu estou até tomando a liberdade de usar seu nome, mas como é algo que... é um grande brasileiro, é um grande empreendedor, como é algo que [ele] fez com muita naturalidade, eu ouso aqui repetir.
Um dos senadores perguntou: 'E o Brasil hoje? Você que está vivendo mais lá do que cá, não é?'. Hoje eles estão comprando várias coisas no mundo todo. Têm 18% do mercado de cervejas da China, só para você ter uma ideia. Não vou nem dizer em outras partes do mundo.
'Como é que o Brasil é visto hoje. Qual é a imagem que se tem do Brasil'. Ele falou uma frase diferente de todas as outras que costumamos ouvir. Ele falou: 'Simplesmente o Brasil não existe. É ignorado'.
Ninguém olha. Ninguém mais está preocupado com o que está acontecendo no Brasil. Passou. Esse foi o grande crime que esse alinhamento ideológico da política externa cometeu com o Brasil. Nós tivemos uma grande oportunidade com a União Europeia e há mais de 10 anos que isso está amarrado. Porque nós subordinamos as nossas posições ao interesse, por exemplo, da Argentina. O mundo está indo. Os países da nossa região fizeram acordos bilaterais. O Chile mais de 30. México mais de duas dezenas. E nós fizemos 3 que simplesmente não existem: com Israel, Egito e Palestina. Então, o governo do PT, além de todos os males internos que nos causou, também do ponto de vista externo nos transformou numa ilha. Nós somos hoje exportadores de commodities, que éramos na década de 50, e não somos sequer respeitados pelos nossos vizinhos. A nossa visita à Venezuela vem dizer que o povo –tem esse objetivo– que o povo brasileiro, na sua ampla maioria, preza e aprova a democracia. Eu tenho certeza de que eu sou porta-voz não apenas dos 51 milhões de brasileiros que me honraram com seu voto. Eu acho que eu sou porta-voz, da grande, da esmagadora maioria dos brasileiros, que não aceitam mais, em pleno século 21, esse tipo de comportamento de lideranças políticas.

O PMDB tem alguns líderes dizendo que não estará com o PT na próxima eleição presidencial. O PMDB vai estar com o PSDB?
Eu acho que ninguém vai querer estar com o PT na próxima eleição municipal e muito menos na eleição presidencial. Eu acho que essa movimentação do PMDB, que em parte já começava a ocorrer na última eleição... Eu tive apoio de seções muito importantes do PMDB.
Do Rio Grande do Sul, por exemplo, que elegeu o governador [José Ivo Sartori, em 2014]. Do Espírito Santo, que elegeu o governador [Paulo Hartung]. E várias outras. Então, já havia esse movimento de descolamento.
Agora, o PMDB é um grande partido. E tem o direito de construir o seu projeto. O que eu percebo, para concluir, Fernando, é que essa eleição presidencial de 2014 ela começou com o discurso até muito sedutor e com muita consistência que era a possibilidade de uma terceira via. Havia um desgaste grande do PT. Havia, por outro lado, um desgaste também do PSDB –e temos que reconhecer isso.
E surgiu uma ideia, conduzida por um jovem e talentoso político, que era o Eduardo Campos [1965-2014], que foi abatido por aquela tragédia. E depois esse discurso foi conduzido pela Marina [Silva], também de forma muito competente. Olha, 'os bons daqui, vamos construir uma coisa nova no Brasil'. E obviamente isso tinha de ser visto com alguma atenção.
Pelas circunstâncias da política, pela tragédia que abateu Eduardo [morto em acidente de avião em 13.ago.2014], e até pelo correr da campanha eleitoral, ela termina com a polarização [PT-PSDB] mais viva do que nunca. Hoje, aqueles que veem que o governo do PT fracassou, aqueles que não querem mais esse descompromisso com a ética, esse aparelhamento absurdo do Estado nacional, olham para o outro lado, e acredito, veem o PSDB como o partido hoje mais preparado para apresentar o Brasil a um novo ciclo de desenvolvimento. E nós temos de nos preocupar é com isso. Construir em todo o Brasil as nossas propostas, inclusive do ponto de vista regional, estarmos prontos para disputar e vencer as eleições.

O seu partido não prima muito, muitas vezes, pela união interna. Como muitos partidos. Não é só um problema do PSDB. Como deve ser o processo interno de escolha interno do PSDB, do seu candidato em 2018 a presidente?
Olha, essa lenda da divisão interna do PSDB...

Se fosse lenda estava bom...
Essa lenda é muito mais uma exploração, ou um tema sedutor para alguns colegas seus, ou eventualmente para você, do que uma realidade. Na última eleição, nós nunca estivemos tão unidos. Nós chegamos aonde chegamos pela união do PSDB, pela convicção de que nós tínhamos o melhor projeto para o Brasil e que tínhamos chance, inclusive, de vencer as eleições. Essa não é a agenda desse momento. Precipitar...

Mas qual será o processo [de escolha do candidato a presidente]?
A vantagem do PSDB, e isso é que talvez derive para essa ideia de uma certa divisão, é que nós temos muitos quadros qualificados. O PSDB tem quadros extraordinários. Que partido que pode apresentar quadros para disputar a eleição como Geraldo Alckmin [governador de São Paulo], como [José] Serra [senador do PSDB paulista], e tantos outros. Eu coloco aí o governador de Goiás [Marconi Perillo]. Não descarto nem o [ex-]presidente Fernando Henrique. E outros que podem surgir. Essa é a virtude do PSDB. E no momento certo, de forma democrática, nós vamos discutir.

No passado o sr. falou em prévias. O sr. ainda gosta dessa ideia?
Gosto. Gosto, e elas constam do estatuto do partido. Mas a prévia parte de um pressuposto: que tenha mais de um candidato.

Claro.
Em havendo apenas um candidato não há necessidade de prévias. Em havendo mais de um candidato, esse é um instrumento absolutamente adequado e que o PSDB não deve temer em utilizar.

O sr. acha que se tiver 2 postulantes as prévias são o caminho natural?
Eu acho que é inclusive o caminho natural previsto no estatuto do PSDB.

E o seu nome, evidentemente, vai ser um deles. É isso?
Não. Não 'evidentemente'. Eu cumpri com muita honra e no limite das minhas forças o meu papel.
Eu acho que eu apresentei ao Brasil uma proposta de governo eficiente, ousado, uma política externa diferente dessa que está aí, muito mais pragmática, e acho que permitiríamos ao Brasil entrar num círculo virtuoso de crescimento e de desenvolvimento social. Cumpri o meu papel. Eu não sou candidato a qualquer coisa. Até porque, ser candidato a presidente da República não é uma carreira. O candidato do PSDB, na minha avaliação deverá ser aquele que, no momento da definição, apresentar as melhores condições de encerrar definitivamente esse ciclo que aí está. Eu não terei a menor dificuldade, talvez no lado mais profundo da minha alma, até uma certa felicidade, de poder estar apoiando o outro candidato do partido que se mostre em melhores condições para vencer as eleições. Então, não há imposição. Principalmente da minha parte, em momento algum.

O PSDB, depois de Fernando Henrique Cardoso, nunca repetiu o mesmo candidato em duas eleições. Serra, em 2002; Alckmin em 2006; Serra em 2010. O sr., Aécio Neves, em 2014. O fato de nunca repetir o mesmo candidato duas vezes é bom ou ruim?
Eu acho que foi fruto das circunstâncias de cada momento. Se você avaliar. Serra foi candidato. Depois, Serra era governador. Depois o Geraldo que foi candidato. Depois o Geraldo que era governador e Serra candidato. Agora [2014], Geraldo que era governador e acabei eu sendo candidato. Eu acho que não é por aí que se tomará a decisão. Repito: o candidato do PSDB deverá surgir lá na frente, não é agora. É no momento certo. E será aquele que tiver as melhores condições de aglutinar forças e vencer as eleições. Eu, Aécio, não terei a menor dificuldade de apoiar, como já fiz no passado, o nome que seja escolhido pela maioria do PSDB.

Tem um estereótipo a seu respeito, dentro do Congresso, sobre a sua atuação como um dos principais líderes da oposição. Estereótipo, claro, criado por aqueles que criticam a sua atuação. Alguns dizem: 'Não é tão presente no plenário como poderia ser'. Ou 'em vez de ter continuado no pós-eleição muito duro ali, saiu um período de férias; voltou em cima da hora da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado'. E 'não demonstra o desejo real de ser o principal líder da oposição'. Essas são as críticas que se ouve. O sr. já deve conhecer. O que o sr. acha dessas críticas?
Eu acho que são muito brandas, não é? Uma parte de equívoco: que tirou férias e voltou em cima de eleição [para presidente da Câmara e do Senado]. Isso não aconteceu. Eu articulei uma candidatura por exemplo para enfrentar a candidatura de Renan no Senado.
Fui eu quem veio, enfim, a Brasília vários dias antes das eleições para fazer com que o PSDB não votasse na candidatura de Eduardo Cunha –a quem até respeito, mas não achava que deveríamos colocar a nossa digital naquela candidatura. Então, partiu-se de um pressuposto equivocado. Deixa eu te dizer, ô, Fernando, eu cumpro o meu papel, sabendo das minhas limitações, com extrema determinação.
As críticas que eu recebo hoje são até mais suaves. Mas veja como elas são contraditórias. De um lado, e você rapidamente citou isso, eu sou acusado de ter uma posição mais dura contra a presidente da República. E outros colegas do PSDB de terem uma posição de maior equilíbrio. Ou talvez menos contundente. Por outro lado, alguns movimentos consideram que eu tenho uma posição mais equilibrada e deveria ser mais contundente. Eu acho que eu estou no caminho certo. Porque eu aprendi muito cedo, lá na minha terra, nas Minas Gerais, que a virtude não está nos extremos. Ela geralmente está no meio. E é por aí que eu trafego.

Senador Aécio Neves, muito obrigado por sua entrevista ao UOL.
Obrigado a você, Fernando.